Unidade na diversidade

Dom Edney Gouvêa Mattoso
Bispo de Nova Friburgo (RJ)

Caros amigos, na semana passada, ao tratarmos sobre a influência das redes de comunicações sociais, apontamos para a triste realidade individualista e segregadora na qual vive muitos membros da comunidade humana. Nesta semana, em que celebramos a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos (cf. At 2,1-11), somos chamados a refletir sobre a unidade.

A Igreja, desde o dia de Pentecostes, dedica-se à missão de restaurar e testemunhar a unidade perdida em Babel (cf. Gn11). Graças a este mistério eclesial, a família humana é chamada a recuperar a própria unidade e a reconhecer a riqueza de suas diferenças (cf. Compêndio da Doutrina social da Igreja, 431).

Na primeira Carta de São Paulo aos Coríntios encontramos uma clara referência à missão da Igreja de unir todos os que estão dispersos: “Fomos batizados num só Espírito para formamos um corpo” (1 Cor 12,13). O Apóstolo, ao falar da unidade gerada pelo Espírito, chama atenção para a rica diversidade das qualidades e dos dons no seio da comunidade. E ensina que é a partir desta diversidade que se constrói a unidade. Infelizmente, o que contemplamos ao nosso redor é bem diverso. Num falso discurso de defesa à diversidade, o que impera é a tentativa mesquinha de esmagar a beleza da diversidade sob o peso da massificação das ideologias.

O Papa Francisco, na homilia deste domingo (09/06), fala do quanto necessitamos do Espírito de unidade que nos regenere como Igreja, como Povo de Deus e como humanidade inteira. Superando a tentação de construir ‘ninhos’: reunir-se à volta do próprio grupo, das próprias preferências, dos que pensam igual, refratários a toda e qualquer forma de pensamento diverso.

O Espírito Santo não desfaz as diferenças, nem elimina a diversidade. Pelo contrário, ele devolve ao coração do homem a harmonia, juntando os distantes, unindo os afastados, reconduzindo os dispersos. “Funde tonalidades diferentes numa única harmonia, porque em primeiro lugar vê o bem, vê o homem antes dos seus erros, as pessoas antes das suas ações” (Papa Francisco, 09 jun.19).

Em sua missão de fazer discípulos todos os povos (cf. Mt 28,19), a Igreja conclama todos os seus filhos a zelarem pela unidade de toda a humanidade, extirpando toda intolerância pela boa disposição e paciência em ouvir opiniões opostas.

A edificação do Reino de Deus implica em nos reconhecermos como irmãos e, apesar de nossas diferenças, como membros de um mesmo corpo, desfazendo os laços de inimizade e divisão.

A unidade querida por Deus (cf. Jo 17,20s) não é uma uniformidade ou supressão das diferenças. Na verdade, toda a riqueza da unidade em Deus é manifestada pelas diferenças, quando vividas na caridade.

Na certeza de que o Espirito que nos vivifica é um e o mesmo, lutemos para que o projeto de unidade se estenda para toda a humanidade, construindo relações cada vez mais ricas humanamente, capazes de respeito recíproco e de amor abnegado (cf. Papa Francisco, 22 mai. 2016).

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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