Seu nome, sua riqueza

Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de São Salvador da Bahia – Primaz do Brasil

            Um dos valores mais preciosos que temos é o nosso nome – melhor, o nosso “bom nome”. Não estou pensando em pessoas famosas, sempre presentes na mídia, cujos nomes arrastam multidões atrás de si; penso, simplesmente, no nome que nós mesmos construímos ao longo da vida. Nosso nome é muito mais do que a maneira como as outras pessoas nos identificam e nos chamam. Ele é construído dia por dia, lentamente. Um bom nome é, pois, um bem valioso, pois, para se conquistá-lo, são necessárias escolhas certas, guiadas pela busca incessante do que é honesto e justo. Mas um bom nome é também um valor frágil. Que o digam as redes sociais. Em questões de minutos ou horas, um nome pode ser ali pisoteado ou destruído. Transformado em cacos, não será fácil reconstruí-lo. Mesmo que, tempos depois, se consiga provar o erro e a maldade do autor da calúnia, o estrago está feito. Afinal, como afirmava Voltaire: “Menti, menti, alguma coisa sempre permanecerá”.

Com o advento da internet, cresceu o número de caluniadores anônimos – uma expressão para nos referirmos aos destruidores de nomes. Eles aproveitam toda oportunidade para menosprezar qualquer pessoa, talvez pelo simples prazer de destruí-la. Seria interessante um profundo estudo sobre isso – isto é, sobre as causas de tal comportamento. Inveja? Ódio? Raiva armazenada? Insatisfação generalizada? Complexo de inferioridade? Frustrações pessoais? Provavelmente, um pouco disso tudo.

Não podemos ficar indiferentes. O mínimo a fazer é evitar repassar mensagens mentirosas que recebermos. Ou, então, antes de passá-las, examiná-las cuidadosamente, para saber se expressam a verdade. Os discípulos de Cristo não podem aceitar a mentira. Mais: devem rejeitar “todo engano, hipocrisia e inveja, e toda calúnia” (1Pe 2,1), advertia o apóstolo Pedro.

A maledicência (revelação dos defeitos e faltas de outros a pessoas que os ignoram) e a calúnia (afirmações contrárias à verdade, prejudicando a reputação de outros, dando origem a falsos juízos a seu respeito) destroem a reputação e a honra do próximo. Ora, todos gozam do direito natural à honra de seu nome, à boa reputação e ao respeito. A maledicência e a calúnia vão contra a justiça e a caridade.

A mentira consiste em dizer o que é falso, com a intenção de enganar. Segundo Jesus, a mentira é uma obra diabólica: “Vós tendes por pai o diabo, […] nele não há verdade; quando fala mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8,44).

Respeitando o bom nome das pessoas, estaremos a serviço da verdade; essa tem um valor tão grande e importante que o próprio Jesus se identifica com ela: “Eu sou a verdade!” Portanto, diga não à mentira; diga não à calúnia.

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Fonte: Noticias da Arquidiocese de Salvador

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