“Sede firmes e constantes” (1 Cor 15,58)

Dom Edney Gouvêa Mattoso
Bispo de Nova Friburgo (RJ)

 

Caros amigos, vivemos em uma sociedade extremamente seduzida pelo relativismo subjetivo, onde cresce a ausência de estabilidade e inconsistências. A busca desenfreada pelo novo, pelo diferente, faz produzir relações superficiais, alimentando a cultura do descarte.

Este modo de pensar e viver causa um impacto profundo nas relações sociais e, mais em particular, nas relações entre o homem e a mulher, que se têm feito cada vez mais flexíveis, como manifesta o conceito atual de amor reduzido a mero sentimento passageiro (cf. Bento XVI, Encontro com o mundo da cultura e da economia, 08 mai. 2011).

Num ambiente em que as pessoas são regidas pelo gozo e felicidade instantânea, instituições como a família e a religião, opções vocacionais que antes eram consolidadas em base forte, sustentadas pelo rico conteúdo da tradição, agora são voláteis e se desmancham facilmente.

O Papa Francisco, usando a teoria da “modernidade líquida” do filósofo polonês Zygmunt Bauman, adverte que a humanidade está vivendo sem pontos fixos, desequilibrada, privada de referências sólidas e estáveis, na cultura do efêmero, do descartável. (Papa Francisco, homilia, 21 jan. 2017).

Na modernidade líquida, inclusive, a fé também entra na dinâmica da liquidez, tornando o ato de crer expressão relativizada pelas próprias conveniências, desvinculado dos conteúdos explicitados por uma comunidade eclesial à luz do anúncio da verdade. É preciso resistir aos encantos deste tempo líquido, no qual até a divindade corre o risco de também ser fluida. Seguindo as paixões do corpo e a sedução do mundo, somos tentados a criar um deus conforme a nossa imagem e semelhança.

Importante perceber que a desenfreada procura por novidades encontra o ambiente ideal na sociedade da aparência, no consumo, onde é camuflada a verdade. Neste contexto, somos chamados a anunciar o caráter definitivo da palavra de Jesus em meio a variadas doutrinas e ideologias.

A luta contra as seduções mundanas e flexibilidade da verdade, é uma realidade vivida e anunciada desde tempos apostólicos. São Paulo adverte a Timóteo que “virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação, mas multiplicarão para si mestres levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades. Afastarão os ouvidos da verdade e os aplicarão às fábulas” (2Tm 4, 2-4).

No contexto em que vivemos, nos alcança a instrução do Apóstolo ao seu discípulo: “sê prudente em tudo, paciente nos sofrimentos, cumpre a missão de pregador do Evangelho” (2Tm 4,5) e também à comunidade de Corinto: “sede firmes e constantes, aplicando-vos cada vez mais à obra do Senhor” (1Cor 15,58).

Não faltam situações desafiadoras, nas quais somos chamados a celebrar e testemunhar a nossa fé ao preço, se for necessário, da própria vida, rompendo com o costume e com a maneira de ser do mundo atual. Contudo, “às vezes podemos ser tentados a nos deixar levar pelo desânimo, sobretudo diante dos cansaços e das provações da vida. Nestes momentos, invoquemos o Espírito Santo para que, com o dom da fortaleza, possa aliviar o nosso coração e comunicar nova força e entusiasmo na nossa vida e no nosso seguimento a Jesus” (Papa Francisco, audiência Geral, 14 mai. 2014).

 

O post “Sede firmes e constantes” (1 Cor 15,58) apareceu primeiro em CNBB.


Fonte: Noticias da CNBB

Rede Excelsior de Comunicação

Leve a rádio sempre com você
Baixe nosso aplicativo

Some description text for this item

receba novidades por email
Assine a nossa newsletter

Some description text for this item

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.