“Que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38,8)

Dom Edney Gouvêa Mattoso
Bispo de Nova Friburgo (RJ)

 

Caros amigos, seguindo nossa reflexão sobre o tema da Campanha da Fraternidade, lançamos um olhar sobre a saúde pública, seus desafios e esperanças.

É preciso, antes de mais nada, lembrar que Políticas Públicas devem ser desenvolvidas no campo da saúde para garantir que a atenção se concentre no atendimento às pessoas, não simplesmente tratar doenças ou condições específicas – considerando todos os aspectos da vida e das situações individuais de cada um.

Lamentavelmente, multiplicam-se em nosso país as vítimas do descaso e da corrupção. O número de óbitos nas salas de espera dos hospitais revela a deficiência do sistema em atender a grande parcela da população.

O Brasil possui um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo, porém a negligência na gestão e a dificuldade do controle de recursos e da execução orçamentária, fazem aumentar a mortalidade infantil e o percentual de mortos nas filas dos hospitais.

Hospitais superlotados, sem verba ou com recursos mal administrados, fazem ecoar o grito de socorro e nos inspira uma atitude de “maior espírito fraterno e comunitário na atenção dos enfermos levando a sociedade a garantir ao maior número de pessoas o direito ao acesso aos meios necessários para uma vida saudável” (Papa Bento XVI, Mensagem para a Campanha da Fraternidade, 11 fev. 2012).

A participação nos conselhos nacionais, regionais e municipais possui uma importância significativa no processo de reorganização da sociedade. Uma tarefa que deve envolver todas as esferas da vida pública, desde a formulação até a fiscalização. Importante destacar que estes conselhos devem funcionar não apenas como instância de controle social de prestação de contas, mas, também, como espaços de expressão de demandas e expectativas dos vários seguimentos que compõem a sociedade.

Ao encontro desta reflexão está a Constituição Federal ao definir que o Sistema Único de saúde (SUS) seja organizado de acordo com a “participação popular” (cf. Seção II, artigo 198). E também a legislação que impõe como requisito para liberação das verbas federais a implementação dos conselhos municipais.

Os cristãos leigos e leigas, pela virtude do Batismo, são chamados a assumirem seus lugares na fiscalização e promoção do bem comum e da dignidade humana, fazendo-se presentes nos meios de organização e atuação na vida cultural e política, inibindo, inclusive, a manipulação desses conselhos municipais. Mais uma vez, lembramos as palavras do Papa Francisco para a Igreja no Brasil: “Os cristãos devem buscar uma participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça” (Mensagem para a Campanha da Fraternidade, 11 fev. 2019).

Não podemos esperar de braços cruzados, como meros espectadores, o fim da injuriosa dinâmica social que favorece somente os mais abastados. Com os olhos e coração abertos para as necessidades de nossos irmãos sofredores, que esperam ser reconhecidos, tocados e assistidos cuidadosamente por nós, ocupemos nosso lugar na construção de uma sociedade mais justa e fraterna (cf. Misericordiae Vultus, 15).

O post “Que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38,8) apareceu primeiro em CNBB.


Fonte: Noticias da CNBB

Rede Excelsior de Comunicação

Leve a rádio sempre com você
Baixe nosso aplicativo

Some description text for this item

receba novidades por email
Assine a nossa newsletter

Some description text for this item

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.