Perigo da acomodação

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

Estamos começando mais uma Quaresma. Ela é tempo propício para ajudar as pessoas na reflexão, revisão e aprimoramento em tudo que exige atitudes de responsabilidade e de construção do bem comum. Por causa disso, a Campanha da Fraternidade 2019 apresenta o tema das “Políticas Públicas”. Elas são ações de governo, mas necessitam de cobrança dos destinatários, para sair do papel.

Com o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27), a Campanha sugere, principalmente no tempo quaresmal, ações comprometidas com a defesa da dignidade humana e do direito das pessoas, provocando saída do comodismo e da acomodação. O bem existe, mas ele tem que ser conquistado. O que é de interesse de uma comunidade, a conquista deve ser feita por todos.

No tema “perigo da acomodação” está o grande sentido da vida. Aqueles que se acomodam diante de problemas do cotidiano, principalmente em atitudes de omissão, contribuem com as situações que dificultam a harmonia e o progresso da coletividade. Deixam de construir o bem e se tornam reféns da cultura do indiferentismo, do desânimo e perda do sentido do protagonismo e da esperança.

A vida humana sadia não pode ser fruto de uma construção fundamentada na superficialidade dos atos praticados pelas pessoas na vida da comunidade e nem no descompromisso com uma justiça relacionada com o bem comum. A acomodação é caminho para a ociosidade, podendo causar práticas de verdadeira desonestidade, ocasionando grandes prejuízos na condução da sociedade.

Dentro da cultura moderna e do consumismo avassalador, as pessoas são tentadas a fugir de compromissos comunitários e a viver uma vida desequilibrada. Deixam de lutar por uma sociedade que esteja centrada e fundamentada nos princípios da Palavra de Deus. Com isso, o ambiente se torna irreal e dificulta a construção de uma vida equilibrada, e favorece a prática da acomodação.

Parece que muitas pessoas desejam o indesejável, principalmente na dimensão do poder, e passam a viver numa condição desconfortável, sem força, triste, sem humor, indiferente e infeliz. Só Deus, com seu amor infinito de misericórdia e de acolhida, é capaz de tirá-las dessa triste realidade. Aqui está o verdadeiro sentido pedagógico da Quaresma, tempo de mudança de vida.

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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