O Magnificat de Maria e o Nascimento de João Batista

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

A Palavra de Deus afirma que ao santo Natal ocorreram à visita de Maria à sua primeira Isabel na qual ficou cheia do Espírito Santo quando ouviu a saudação de Maria, e após a saudação, Maria glorificou a Deus pelas suas maravilhas. Os santos padres tiveram presentes estes pontos de vida e também o significado de João Batista foi ligado aquele do Senhor Jesus Cristo, o Salvador da humanidade.

Ambrósio Autperto, monge do século VIII ressaltou o magnificat como ponto de vida nos seguidores do Senhor. É preciso dizer que a nossa alma, assim como em Maria, engrandeceu ao Senhor, conceba a Palavra de Deus, a gere, a nutre, lembra o santo intercâmbio da nossa salvação e o modo no qual foi salva da sua iniqüidade sem tê-la merecido e foi redimida do sangue de Cristo pela bondade gratuita de Deus. O seu amor é grande, e manifestou-se a todo gênero humano. Quem não fica admirado diante de tanto amor? Quem poderia esperar que o Filho de Deus gerado antes dos séculos pelo Pai nasceria pela humanidade tornando-se homem por uma mulher? O autor continuou a sua reflexão no sentido de afirmar que quem poderia imaginar que aquele que leva o mundo em seus braços seria levado pelos braços de uma mulher? Que aquele que é o pão dos anjos seria nutrido? Por todas essas coisas a alma de Maria engrandeceu o Senhor e o exalta também a alma humana. O autor convidou os fiéis para alegrar-se, amar de verdade porque pela mesma morte do nosso Redentor fomos chamados das trevas à Luz, da morte à vida, da corrupção à incorruptibilidade, do choro à alegria, da terra ao céu[1].

Na liturgia bizantina, presente desde o século IV, colocou o nascimento de João Batista. O seu nascimento dissolveu o silêncio de Zacarias (cfr. Lc 1,64), porque não era bom que o pai permanecesse calado diante da maravilha do nascimento do filho. Em Zacarias foi anunciado e por ele gerado como voz da Palavra e Precursor da luz, o Intercessor pelas nossas almas. A voz da Palavra desatou a voz do pai retida pela falta de fé e manifestou a fecundidade bonita da Igreja dissolvendo os vínculos da esterilidade materna. Foi desta forma que avançou a lâmpada que acolheu a luz (cfr. Jo 5,35). Vindo do seio estéril de Isabel apareceu o grande Precursor, o maior profeta de todos os profetas (cfr. Mt 11,9-11), porque pela lâmpada que faz o Precursor sucede a Luz fulgurante, a voz à Palavra, que preparou ao Senhor um povo de sua propriedade particular (cfr. Lc 1,17; Tt 2,14) e o purifica com a água em vista do Espírito (cf. Mt 3,11). João, filho esplendoroso do deserto, sincero amigo do esposo Cristo, anunciou-o porquê seja feita misericórdia às nossas almas[2].

São Beda o Venerável, monge inglês, dos séculos VII e VIII, teve presente o Benedictus proferido por Zacarias após a sua língua desatar-se no céu da boca. Bendito seja o Senhor Deus de Israel porque a seu povo visitou e o libertou (cfr. Lc 1,68). Nessas palavras o bem-aventurado Zacarias, segundo uso dos profetas previu em espírito aquilo que foi apenas iniciado. O Senhor nos visitou, manifestado na carne e nos cercou, e nos justificou porque pecando estávamos afastados dele. Ele nos visitou como um médico visitou os doentes, para sarar a nossa enfermidade, o nosso orgulho e ofereceu o seu exemplo de humildade. Ele nos libertou do antigo inimigo que nos mantinha presos ao pecado e à morte; Ele nos libertou das trevas e na sombra da morte deu-nos vida nova. Por isso o Senhor é chamado verdade e vida. Ele nos levou à verdadeira luz do seu conhecimento e dissipadas as trevas do erro, do pecado abriu-nos um caminho seguro rumo à pátria celeste. No momento em que nós possuímos estes dons da vontade celeste, estas promessas dos bens eternos, existem condições também em nós, de bendizer o Senhor e em todo o tempo porque Ele visitou e libertou o seu povo[3].

A proximidade do Natal aponta-nos as pessoas que acolheram o Precursor, o Salvador, pelos santos Zacarias e Isabel e pela bem-aventurada Virgem Maria, no seu ventre virginal. Os santos padres comentaram essas coisas como realizações das promessas divinas anunciadas aos profetas e realizadas em Jesus Cristo. Nós somos chamados a vivenciar o mistério do Natal com alegria e com amor a Deus, ao próximo como a si mesmo.

[1] Cfr. Ambrogio Autperto, Omelia per la festa dellAssunzione della beata Maria, 208,7. In: Nuove Letture dei giorni, testi dei padri d´oriente e d´occidente per tutti i tempi liturgici. Scelta a cura dei fratelli e delle sorelle della Comunità di Bose. Edizioni QIQAJON, Comunità di Bose. 2012, Magnano (BI), pgs. 48-49.

[2] Cfr. Liturgia bizantina, Mineo del 24 giugno. In: Nuove Letture dei giorni, testi dei padri d´oriente e d´occidente per tutti i tempi liturgici, pgs. 49-50.

[3] Cfr. Cfr. Beda Il Venerabile, Omelie 3,20b.  In: Nuove Letture dei giorni, testi dei padri d´oriente e d´occidente per tutti i tempi liturgici., pgs. 50-51.


Fonte: Noticias da CNBB

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