Homilia na Romaria anual ao Santuário Nacional de Aparecida

Dom Edney Gouvêa Mattoso
Bispo de Nova Friburgo (RJ)

Estimados Sacerdotes, seminaristas, religiosos e religiosas e querido povo de Deus. Mais uma vez nos reunimos, com fé e devoção, neste Santuário Nacional, casa da Mãe de Deus e nossa, a Senhora Aparecida.

Lembro com carinho das palavras de São João Paulo II ao dizer que aqui pulsa o coração católico do Brasil, para aqui se voltam os anseios da fé e piedade deste povo brasileiro. Aos pés da Virgem Mãe, apresentamos nossos pedidos e súplicas certos de que serão apresentados ao Pai das Misericórdias.

A liturgia da Palavra deste sábado, dia 16 de março, faz ecoar em nossos corações o imperativo evangélico da santidade. Somos impelidos pelo próprio Cristo a almejarmos a perfeição divina: Sede perfeitos como o vosso Pai Celeste é perfeito! (v.48).

Estas palavras nos apresentam uma perspectiva impossível para nossas capacidades humanas. O ideal da perfeição excede os limites da condição humana ferida pelo pecado. Ao mesmo tempo, estes limites, unidos ao nosso desejo de plenitude, nos faz almejar a fonte inesgotável da vida e da felicidade: o próprio Deus.

Quando comparamos este texto de Mateus com o seu paralelo em Lucas, percebemos que em lugar de sede perfeitos encontramos a expressão “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (cf. Lc 6, 36). Esta comparação nos auxilia na compreensão de que a perfeição pretendida por Jesus para os seus discípulos está enraizada na prática do amor e da misericórdia.

Nos versículos que antecedem este texto e abrem o Sermão da montanha, Jesus ensina que a perfeição consiste no amor, cumprimento de todos os preceitos da Lei. Nesta mesma perspectiva, São Lucas explicita que a perfeição é o amor misericordioso: ser perfeito significa ser misericordioso.

Na proximidade compassiva para com os pequeninos e pecadores e no amor os inimigos Cristo nos aponta de maneira especial a perfeição como dom de misericórdia a ser exercida entre irmãos que experimentam a dura realidade do pecado, e a santidade e perfeição de Deus, como Pai.

O Concílio vaticano II nos ensina que para alcançarmos esta perfeição, é preciso empregarmos as forças que recebemos de Cristo, a fim de que obedecendo em tudo à vontade do Pai nos consagremos com toda a alma à glória do Senhor e ao serviço do próximo (LG 40).

Se nos detivermos somente no ideal grego de perfeição, certamente seremos tomados pelo desânimo por ser algo impossível de alcançarmos. Mas na lógica divina, a busca pela perfeição nos estimula a ser como Deus, que é pleno de amor e fonte de misericórdia.

Ouvimos na primeira leitura, tirada do livro do Deuteronômio, o compromisso fundamental da Aliança, que se resume no compromisso de Israel de ser Povo de Deus e no compromisso divino de ser o Deus de Israel. Por este compromisso o povo acolhe a ordem de cumprir cuidadosamente, de todo o coração e de toda a alma, as leis e preceitos divinos (cf. Dt 26, 16).

Nós, cristãos, pelo Batismo purificados no Sangue da Nova Aliança, acolhemos em nossos corações não mais as leis e prescrições antigas, mas a lei do amor e do perdão vivida e exigida por Jesus. O amor ao próximo não exclui os inimigos e os perseguidores. A lei do amor, se reveste de perdão e de zelo cuidadoso também pelos inimigos, dirigindo-nos unidos como irmãos.

É verdade que, lamentavelmente, tenhamos que reconhecer que nosso mundo não esteja preparado para substituir a lei de talião – olho por olho e dente por dente (Mt 5,38) pela lei evangélica do amor – Amai-vos uns aos outros como eu vos amei (Jo 13,34. Porém, é preciso que cada um de nós, como fermento de mundo novo possa fazer crescer no seio da sociedade o amor, a justiça e a paz.

O tema da Campanha da Fraternidade deste ano nos instiga a assumirmos nosso lugar no desenvolvimento e aplicação das Políticas Públicas para construirmos uma sociedade mais justa e radicalmente nova. Iluminados pela Palavra de Deus e guiados pelo magistério da Igreja, somos chamados à participação nos conselhos municipais, estaduais e nacionais para fazer progredir o amor e a fraternidade através anuncio da verdade salvadora e pelo testemunho concreto da fé.

Que Nossa Senhora Aparecida, a Mãe da Misericórdia, nos inspire com seu testemunho de pronto e generoso serviço a deixarmos o nosso comodismo para irmos ao encontro dos nossos irmãos mais necessitados. Que Ela, como Mãe solícita, sempre orante, interceda por nós.

Deus abençoe a todos.

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Fonte: Noticias da CNBB

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