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Hipertensão Arterial Secundária

A hipertensão arterial sistêmica pode ser classificada em primária ou essencial quando não se tem uma causa claramente estabelecida, e secundária, por diversas apresentações clínicas, tais como doença renal crônica, hipertensão dos vasos renais, hiperaldesteronismo primário, feocromocitoma, coarctação da aorta, síndrome da apneia obstrutiva do sono, dentre outras.

Diversos critérios são usados para saber quando a hipertensão arterial secundária precisa ser investigada. Durante a avaliação de um paciente hipertenso, alguns achados da história do paciente e do exame físico servem como indícios de possível presença de causas secundárias. Nesses casos, uma abordagem direcionada e criteriosa permite um correto diagnóstico, evitando os exames em excesso, muitas vezes dispendiosos.

Alguns indícios de hipertensão arterial secundária são: início da hipertensão antes dos 30 anos de idade, hipertensão arterial refratária ao tratamento bem conduzido, uso de medicamentos que aumentam a pressão arterial (corticoides, anticoncepcionais, anti-inflamatórios não hormonais, alcoolismo e alguns antidepressivos), aumento expressivo de taxas bioquímicas de ureia, creatinina e potássio, sumário de urina com excesso de proteínas e hemácias.

As doenças do parênquima renal respondem por aproximadamente metade dos casos de hipertensão de causa conhecida (secundária). No passado, as glomerulonefrites (inflamação das unidades funcionais dos rins) eram responsáveis pela maioria das doenças renais crônicas que levavam à hipertensão arterial, sendo atualmente superadas pela nefropatia diabética, em parte decorrente do aumento da sobrevida dos pacientes diabéticos.

O estreitamento da artéria renal é considerado a segunda causa da hipertensão arterial secundária, apresentando uma prevalência significativa no subgrupo de hipertensos refratários, com hipertensão acelerada e em idosos. A causa mais comum da hipertensão renovascular é o estreitamento da artéria renal por aterosclerose, correspondendo a 90% dos casos. Trinta por cento dos pacientes portadores de doença coronariana e doença vascular periférica podem apresentar estenose significativa da artéria renal secundária a aterosclerose.

O hiperaldesteronismo primário também é uma das formas secundárias da hipertensão arterial, caracterizada pelo aumento do potássio, aumento do pH do sangue, com níveis elevados de aldosterona, hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais.

O feocromocitoma é um tumor neuroendócrino, localizado predominantemente na medula adrenal, mas que também acomete gânglios do sistema nervoso simpático. Esse tumor produz vasoconstrictores em excesso, provocando a hipertensão arterial. A hipertensão encontrada no feocromocitoma pode ser sustentada ou somente acontecer esporadicamente.

A coarctação da artéria aorta se traduz por um estreitamento significativo à luz desse vaso de grande importância para a distribuição do sangue que sai do coração. O diagnóstico é basicamente clínico, podendo ser sanado, já na infância, com tratamento cirúrgico.

A síndrome da apneia obstrutiva do sono constitui uma causa recentemente identificada de hipertensão secundária, sendo o seu diagnóstico fundamental para a instituição da terapêutica. Assim, o relato de roncos frequentes, sonolência durante o dia e paradas respiratórias durante o sono deve levar à suspeita diagnóstica.

Dr Getúlio Tanajura

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