Viver com Saúde

A Saúde Mental e o Trabalho

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a saúde como o estado de completo bem-estar físico, mental e social. O trabalho ocupa lugar importante na construção da saúde mental. A identidade é o nó central da saúde e ela se constrói no campo do amor e no campo do trabalho. Isso porque a identidade nunca depende exclusivamente da própria pessoa, ela sempre passa pelo olhar do outro. No caso do trabalho, a identidade está relacionada ao reconhecimento no trabalho e às relações interpessoais nele.

O encontro entre o trabalhador e a situação de trabalho pode propiciar as condições para a autorrealização ou provocar o sofrimento em suas mais diversas formas. Trata-se de uma relação dialética em que o trabalho afeta a pessoa, e o trabalhador cria uma realidade de trabalho a cada momento.

O trabalho pode ser considerado um operador da saúde ou da doença, incluindo-se as doenças mentais. Quando o trabalho leva a doenças mentais, a produtividade do trabalhador cai, levando a uma possível punição do trabalhador, criando-se um círculo vicioso. Muitas vezes, estados de desordem emocional podem-se manifestar ao longo da vida do trabalhador sem necessariamente estar ligado ao trabalho.

Por outro lado, é preciso ter cuidado com a não-caracterização do ato de trabalhar como agravante ou desencadeante de transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho, pois esse julgamento pode ocasionar prejuízos não somente à qualidade e à eficácia de tratamentos, como aos direitos legais do trabalhador que deixa de usufruir os benefícios previdenciários aos quais eventualmente tenha direito.

Pode-se definir três aspectos no trabalho: físico, cognitivo e psíquico. Cada um deles pode determinar uma sobrecarga ou sofrimento. As exigências físicas do trabalho manifestam-se por meio de: trabalho muscular estático e dinâmico, ritmo de trabalho, gastos energéticos, posturas inadequadas, esforço físico, força e repetitividade. As exigências cognitivas estão ligadas às atividades que exigem mais atenção e esforço mental, vigilância constante e cálculos matemáticos. As exigências psíquicas ligam-se à tomada de decisões, processamento de informações a curto prazo e dificuldades perceptivas.

Na consulta clínica com queixas relacionadas ao trabalho, torna-se necessária uma avaliação criteriosa, considerando-se o perfil de trabalho desenvolvido pelo paciente, com foco em alguns aspectos: relacionamento interpessoal no trabalho e fora dele; relacionamento com a chefia e subalternos; exigências físicas, psíquicas e cognitivas correlacionadas à história de vida; condições sociais e remuneração suficiente; características do ambiente de trabalho (favoráveis ou não ao trabalho desenvolvido); organização das tarefas; trabalho de turnos; trabalho que exigem esforços físicos repetitivos; uso de drogas psicotrópicas e alcoolismo; riscos de contaminação química; como também queixas de sintomas como fadiga, tensão muscular, distúrbios do sono e irritabilidade.

Dr Getúlio Tanajura

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2 pensamentos “A Saúde Mental e o Trabalho”

  1. Olá,Dr.Getúlio Tanajura!
    Gostaria de saber casos de tontura em idosos a partir dos 66 anos.
    Minha tia já fez vários exames e nada foi diagnosticado.Ela já passou por vários médicos é não obteve êxito.
    Ela já fez cirurgia de AVC E DERRAME CEREBRAL.É diabética e hipertensa.
    Gostaria que o Senhor nós ajudasse.
    Pois,creio que você seja o verdadeiro médico enviado por Deus.
    Teria como você avaliar Ela?
    Desde já agradeço!
    Deus te abençoe!

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