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Causas de Zumbidos

O zumbido é uma queixa que só o paciente percebe, pois não há como medi-lo. Inúmeras causas podem estar associadas a esse sintoma, com importante componente emocional. Há, muitas vezes, falhas no tratamento, pela necessidade de tempo, paciência e bom esclarecimento por parte do médico.

Às vezes, um zumbido fraco pode causar um incômodo enorme a um indivíduo. Para outro, apesar de intenso, não compromete sua vida diária. E ainda, para outro, pode ser incapacitante e até motivo de ideias suicidas. O grau de incômodo que causa no paciente é outro ponto não esclarecido e que dificulta ainda mais o tratamento.

Zumbido é uma percepção consciente de uma sensação sonora que se origina nas orelhas, uni ou bilateralmente, ou no interior do crânio, sem a presença de uma fonte externa geradora de som. Há uma atividade neuronal anormal que, erroneamente, é interpretada como som nos centros auditivos.

Mais comum no sexo feminino, acomete principalmente indivíduos maiores de 50 anos, sendo que apenas 5% dos pacientes têm menos de 30 anos. Em 80% dos casos é de leve intensidade, 70% de frequência aguda, 50% são unilaterais (só 10% dos casos são percebidos na cabeça).

Na grande maioria das vezes, o zumbido interfere na vida dos pacientes, causando insônia, falta de atenção, instabilidade emocional, prejuízo das atividades sociais diárias, e, mais raramente, pode até ser incapacitante. As principais causas do zumbido são causas otológicas, uso de medicamentos ototóxicos, causas metabólicas (diabete melito, dislipidemia), traumas acústicos (excesso de ruído) e neurológicos.

Nas causas otológicas, há um comprometimento da orelha externa (meato acústico externo, conduto auditivo até o tímpano), ou simples afecção da orelha média (caixa timpânica, cadeia ossicular, antro e células da mastoide), assim como uma otite média aguda ou crônica, já justificam a presença de um zumbido e são mais simples de diagnosticar. Se a origem do zumbido for na orelha interna (cóclea, vestíbulo e canais semicirculares), a causa mais provável é o envelhecimento das estruturas da audição ou otosclerose coclear. Corpos estranhos no ouvido ou rolhas de cera podem causar tinitus e surdez súbita.

Fármacos ototóxicos podem lesar as células ciliadas externas (CCE) da cóclea, gerando não só o zumbido, mas também perda auditiva e, até, vertigens. O acometimento é geralmente bilateral. Pacientes idosos, com maior sensibilidade (predisposição), e doenças associadas, como problemas vasculares, têm maior chance de apresentar esse quadro, porém, em geral, não é dose-dependente. Os principais exemplos de fármacos ototóxicos são: aminoglicosídeos, clorexedine, iodo, betabloqueador, anticoncepcional oral, anti-inflamatórios não-hormonais e quininos.

Dentre as causas metabólicas estão o diabete melito e a dislipidemia (excesso de gorduras na corrente sanguínea). As causas neurológicas podem estar ligadas ao acidente vascular cerebral (AVC) e hipertensão craniana súbita.

Na abordagem ao paciente com zumbido, é necessária uma pesquisa ampla dos fatores causais. O tratamento pode ser medicamentoso ou não medicamentoso. No primeiro caso, os medicamentos serão direcionados à causa, ou até mesmo à retirada de medicamentos prejudiciais à audição. No tratamento não medicamentoso, são usadas medidas que levem à diminuição da glicemia, das gorduras no sangue, assim como técnicas de acupuntura e estímulos auditivos.

Dr. Getúlio Tanajura

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