Reflexões

A Igreja Católica e a Ciência

A palavra experimentação chegou cedo em minha vida através do mundo acadêmico. A pesquisa científica sempre me atraiu e, com ela, a experimentação. Aprendi com bons orientadores os rigores do método científico na condução das experimentações em ciência. Durante muitos anos as palavras experimentação e experiência remetiam-me ao mundo do trabalho com o qual me envolvi durante décadas.

Nos últimos anos, entrei em contato com a expressão “Experiência de Deus”. Nos vieses de meu pensamento, nada entendi. Sentia que as pessoas que falavam nesse tipo da Experiência de Deus tinham plena convicção do que diziam. Conclui que as limitações eram minhas. Lembrei-me que Deus esconde coisas e somente as revela a alguns. Deixei que o tempo me esclarecesse à medida que meu espírito crescesse nas coisas de Deus. E o tempo foi passando, e minha ignorância ficando.

Recentemente uma amiga deu-me de presente um livro de Padre Manuel Iglesias, sj, intitulado “Onde estás, Senhor?”. Além do encantamento que senti pela leitura, deparei-me com um capítulo sobre Uma Grande Experiência, isso é, a Experiência de Deus.

Meu entendimento se abriu. Mas, o mais curioso, para mim mesma, é que mesmo depois da leitura continuo sem saber “definir” o conceito do que é uma experiência de Deus. Mas… sei senti o que ela é. Reconheço ser paradoxal, sim, para minhas exigências racionais, saber sentir sem saber definir. Mas… sinto ser perfeitamente aceitável para minha fé.

Padre Iglesias fala de experiências simples ou marcantes, isoladas ou constantes. Ele também orienta a partilhar essas experiências com outras pessoas. Esse conselho encorajou-me a escrever esse artigo.

Concluo afirmando que percebo a experiência de Deus como algo comparável ao amor. Sei sentir, sei relatar a experiência em si… mas não sei elaborar uma definição de amor.

Deus é amor, logo, uma experiência de Deus só pode ser uma experiência do amor de Deus pulsando dentro de qualquer pessoa, inclusive de mim. Se me mantivesse limitada aos caminhos da racionalidade científica, não creio que, por essa via, chegaria à experiência de Deus. Não estou negando os caminhos da ciência para muitas outras descobertas de grande alcance. Mas, é seguindo a trilha de Jesus que leva à descoberta de coisas que só existem no caminho d´Ele.

Eliane S. Azevedo

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