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Vida Sóbria

Num encontro entre confissões cristãs na Suíça, o Papa Francisco recomenda que o cristão deve ter uma vida sóbria. Que significa isso? Sóbrio é equilibrado, dentro dos limites. Podemos citar como exemplo, no Evangelho, o jeito de viver de São João Batista, considerado por Jesus “o maior dos nascidos de mulher” (Lc 6, 28). Desenhando o perfil do Batista, o evangelista Mateus assim fala: “João usava roupa feita de pelos de camelo e cinto de couro na cintura; comia gafanhotos e mel silvestre” (3, 4). Primo de Jesus, ele o antecipava em palavras e testemunhos. A moderação e simplicidade marcam o seu estilo de vida, antecipando o que posteriormente o Mestre apresentaria como vida sóbria. O que é dito sobre João coincide com o apresentado pela Igreja sob a denominação de opção preferencial pelos pobres.

Não se trata de viver miseravelmente, sem nenhum bem material, andrajoso e sujo. Isso, aliás, não seria correto porque violaria a dignidade do homem, criado à imagem e semelhança de Deus. O que vai de encontro aos critérios bíblicos é o excesso dos bens materiais, a opulência, o luxo, uma vida em que o supérfluo importa mais do que o necessário, em que se sacrifica o ser pelo ter, transformando-se este em principal objetivo do nosso percurso pelo tempo. O corpo merece conforto na medida em que não se subordinem os valores terrenos e relativos aos absolutos.

Os homens hoje se distanciam da vida sóbria, até aqueles que não dispõem de grande poder aquisitivo. A opulência é meta dos hábitos atuais. Estimulado pela ideologia do consumo, cada um procura ostentar sempre mais, identificando os bens deste mundo como referenciais para a hierarquia social. Vale mais na sociedade quem possui mais, quem tem carro maior e mansão mais imponente. Desde o modo de vestir-se até a programação das festas familiares, tudo obedece rigorosamente aos preceitos do consumismo. Desiste-se de qualquer plano se ele não se enquadra na receita familiar. É melhor não fazer a festa do que realizá-la fora dos modelos das colunas sociais. E assim vai desaparecendo a simplicidade e a preocupação com o acolhimento, o requisito mais importante para classificar qualquer evento.

Os aplausos a uma festa não decorrem da idade das bebidas nem da sofisticação do cardápio, muito menos dos trajes femininos. Importa mais o calor humano que se respira, a simpatia dos anfitriões e os sorrisos trocados; a alegria que anima o ambiente e as gentilezas entre todos. A vida social é um reflexo do amadurecimento pessoal. Está na hora de enriquecer nossas reuniões festivas com a grandeza das coisas simples, com a transparência da autenticidade e da força unitiva da amizade. Depois que as festas terminam, podemos esquecer a beleza da decoração ou o sabor dos salgados, até os acordes da orquestra; mas não se apaga da memória do coração a lembrança da convivência afetuosa, dos abraços apertados e das horas vividas com tantas emoções.

Yvette Amaral
yvettelemosamaral@gmail.com

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