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Maria e Marta

O calendário litúrgico de julho celebra duas santas, amigas de Jesus e irmãs de um íntimo amigo seu: Lázaro. São conhecidas como Maria Madalena, venerada no dia 22, e Marta, em 29. Na história da Igreja, elas são apontadas como dois caminhos espirituais diferentes, mas que se completam para levar os homens a Deus e ampliar o seu Povo na terra. Maria Madalena escuta atenta as lições do Mestre, deliciando-se com sua sabedoria e com os segredos do seu amor. Ela saboreia o dom da presença divina que supera os prazeres do mundo e antecipa o encontro eterno.

Marta sinaliza dinamismo humano que, quando conduzido pelo Espírito Santo, age como um instrumento transformador da sociedade conforme os princípios do evangelho. É a mulher da ação, que se desdobra em servir, não limita a sua entrega, mas cujo serviço só é salvífico porque transborda de uma vida interior plena de Deus. Contemplação e ação simbolizadas nas duas santas são apelos para uma espiritualidade madura e fecunda.

Está em curso o Ano do Laicato. A Igreja se tem esforçado para que esse tempo especial renove a formação e revigore a ação dos leigos tão responsáveis quanto os ministérios ordenados pela continuidade da redenção. Jesus esgotou seus ensinamentos durante sua passagem pela história. Hoje são os cristãos que as comunicam ao mundo.

Lembra-nos o Concilio Vaticano II: “O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial ou hierárquico, embora se diferenciem essencialmente e não apenas em grau, ordenam-se mutuamente um ao outro: pois um e outro participam, a seu modo, do único sacerdócio de Cristo” (LG, 10). Se durante séculos o leigo ficou na sombra, modernamente ele tem sido estimulado para ocupar seu lugar de vanguarda na evangelização. É decisiva a sua missão de luz, sal e fermento na sociedade, onde ele vive a maior parte do seu tempo. Essa permanência aí o faz mais consciente das carências dos que se encontram perdidos no caminho da salvação. Conhecem bem as marcas que o maligno deixa nas estruturas sociais e no cotidiano dos homens, distantes das verdades da fé, emaranhados nas ciladas que entronizam novos ídolos na vida das comunidades. Como Igreja que são, eles não podem desperdiçar os seus valores e carismas numa rotina desbotada, incapaz de estimular os irmãos a entrarem na batalha por uma sociedade diferente, iluminada pela justiça e solidariedade.

O documento da CNBB ‘Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade’ acentua: “O cristão leigo é chamado a viver como sujeito no mundo de forma consciente, responsável, autônoma e ativa. A tomada de consciência da realidade em que se encontra inserido é tarefa que vem da própria fé que busca os caminhos de identificação com o Cristo encarnado na história (EG 24)”.

Que Madalena e Marta não sejam apenas uma lembrança para o laicato cristão, mas valham como ícones indispensáveis para a formação de um autêntico militante na caminhada da Igreja nos séculos do 3º milênio do cristianismo.

Ivette Amaral
yvettelemosamaral@gmail.com

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