Eu sou a videira e vós os ramos

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

 

Continuamos nossa caminhada de celebração das alegrias pascais, celebrando neste final de semana o 5º Domingo da Páscoa, o primeiro do mês de maio: Jesus, vencedor do pecado e da morte, traz a vida nova a todos aqueles a quem concede a graça de tornar-se Filhos de Deus. Isto é motivo de grande alegria para todo o povo de Deus.

No sábado deste final de semana, dia 1º de maio, celebramos a memória de S. José Operário, que neste ano dedicado a São José, adquire um significado todo especial, motivando ainda mais nossa vivência e celebração desta memória. Esta memória foi estabelecida pelo papa Pio XII desejoso de oferecer aos trabalhadores um padroeiro que fosse modelo, instituiu a Festa de São José Operário no ano de 1955, colocando-o como padroeiro de todos os trabalhadores. Neste momento especial em que estamos vivenciando por motivo das dificuldades trazidas pela pandemia, rezamos de forma especial por todos os desempregados e por todos aqueles que neste momento passam por necessidade em decorrência da falta de trabalho. Que Deus abençoe e fortaleça os trabalhadores e venha em socorro dos desempregados.

Iniciamos também o mês de maio, mês que é o mês de Maria e o mês das mães, já que neste mês celebramos a memória de N. Srª de Fátima no dia 13, a festa da visitação de Nossa Senhora no dia 31 e o dia das mães no segundo domingo de maio. Grande oportunidade de pedirmos a Maria que nos prepare sempre um bom caminho, cuide de nossas vidas e venha em socorro de todas as nossas necessidades e as necessidades do mundo. Neste ano, o Papa Francisco nos pediu o terço mariano todos os dias que ele mesmo vai iniciar e concluir no primeiro e último dia de maio pedindo pelo fim da pandemia. Dezenas de Santuários marianos em todo o mundo estarão realizando simultaneamente. Aqui em nossa arquidiocese recomendamos às Paróquias o terço mariano em um horário presencial ou virtual todos os dias. No dia 24 de maio, dia de N. Sra. Auxiliadora e de orações pela China, mas que neste ano, por ser a segunda-feira após Pentecostes será celebrada a memória de Maria, Mãe da Igreja teremos as “mil ave marias” em nossa arquidiocese unida à entrega de alimentos nas Paróquias destinados aos necessitados deste difícil momento da história de aumento de desempregado e da população em situação de rua.

Ainda neste mês de maio teremos a grande celebração da solenidade de Pentecostes, precedida pela semana de oração pela unidade dos cristãos e também da novena ou semana de Pentecostes culminando com a grande vigília. Que a Luz e a Graça do Espírito possa guiar nossos passos na caminhada rumo à Pascoa definitiva, nos fazendo mais atentos e dóceis aos planos de Deus.

A Liturgia deste quinto domingo da Páscoa vai falar da nossa união e comunhão com Nosso Senhor Jesus Cristo. O Evangelho (Jo 15, 1-8) vai usar as imagens da Videira e dos ramos para expressar a riqueza e  a necessidade da nossa união com Jesus:

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: ‘Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permaneceu em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vós será dado. Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos.

A imagem da videira apresentada no Evangelho de hoje mostra que os ramos não vivem sem estar ligado ao centro da videira. Sem estar ligados a Cristo, nossa vida não tem sentido. Assim como os ramos necessitam estar ligados ao tronco, no caso à videira, para que assim tenham a seiva da vida, só unidos a Jesus para que tenhamos a vida da Graça que nos faça passar pelo mundo fazendo o bem. Os ramos são diferentes uns dos outros, tanto em seu formato quanto na quantidade de fruto que produzem. O que realiza a unidade entre os ramos é que estão ligados ao tronco, ao centro da videira, que é Jesus.

A Imagem utilizada por Jesus não fala somente da videira e dos ramos, fala também quem é o dono da vinha, que é o agricultor dessa vinha: O Pai. É ele quem cuida da vinha e é ele quem tem um plano para esta. Mas o Evangelho ressalta algo importante e que ajuda a entender nossa vida e nossa caminhada de fé: O Pai cuida da videira podando-a. Só através da poda, que é sinal de cuidado para com as plantas, que os frutos em abundância hão de aparecer. Podar é tirar. Tirar para que no lugar no tirado, possa aparecer muito mais do que apareceria se tudo permanecesse sempre da mesma forma. A imagem da poda evoca nosso recomeçar, nosso sair da zona de conforto, deixar de lado nossas seguranças humanas e produzir mais frutos de paz, de justiça e de fraternidade, estando unidos a Jesus, é renunciar para ter mais, perder para ganhar mais.

Só se continua na missão se a missão é motivada e sustentada pela vida de Jesus em nós, se esta vida vem a nós. Isso é estar unido à videira verdadeira. O Ramo que não permanece unido a Jesus perece. Pode até aparentar ter muito volume, mas não permanece no tempo, não dá fruto. A Glória de Deus está em que nós, seus Filhos, produzamos frutos e que experimentando desses frutos, muitos e muitas possam fazer também a experiência de se tornar Filhos de Deus. A era da informação que vivemos está saturada de palavras. O cristão fala de Deus de modo eficaz produzindo frutos, fazendo a diferença, nadando contra a corrente e sendo sustentado pelo olhar misericordioso do Pai.  Tudo é consequência de estar com o Senhor. O gesto mais importante da vida missionária é estar unido a Deus e deixar que esta união transborde em obras.

Na primeira Leitura (At 9, 26-31) vemos a necessidade que os apóstolos têm de anunciar as maravilhas que o Senhor realizou em suas vidas. De forma especial, o relato vai nos mostrar Barnabé que leva Saulo aos discípulos e lhes conta as maravilhas que Deus havia realizado na vida deste grande perseguidor, que a partir de agora passará a ser perseguido pelo nome do Senhor. Encontrar-se com Jesus é mudar de vida. Esse encontro faz toda a diferença na vida do ser humano. Não podemos deixar de mencionar as tantas perseguições que os cristãos sofrem nos dias de hoje. Não tenhamos medo de fazer o bem e cumprir a vontade de Deus. Sempre haverá perseguição e contrariedades a quem faz o bem. Confiemos no Senhor e permaneçamos fiéis.

Ainda dentro da lógica de produzir frutos, a segunda leitura (1Jo 3,18-24), S. João vai falar da vida de Jesus em nós que se manifesta em obras: Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade! (…) Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu. O mandamento fundamental de nossa vida cristã é ser como Jesus, amar como Jesus amou. Esse permanece em Jesus e esses são os frutos esperados dos que permanecem unidos à videira.

Como comunicamos nossa união com Cristo e como vivemos nossa união com Jesus? Estas são as perguntas que devemos levar em nossos corações ao início desse mês Mariano, onde olhamos para Maria que nos ensina a fazer tudo o que o Senhor nos disser. Que unidos a Jesus, estejamos cada vez mais firmes na fé. Rezemos pelos doentes, rezemos pelos que sofrem, rezemos pelos desempregados e por todos aqueles que passam por dificuldades. Que Jesus, o Bom Pastor nos guie sempre nos caminhos da verdadeira vida. Deus abençoe e guarde a todos.

 

 

 

 

 


Fonte: Noticias da CNBB

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