Distanciamento e proximidade

Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul (RS)

 

Estimados irmãos e irmãs em Jesus Cristo! Como Povo de Deus a caminho da casa do Pai, vivemos esse tempo da nossa história pessoal, familiar e comunitária, marcado pelo distanciamento social, como forma de proteger a vida, ameaçada e ferida, pela pandemia, que fez milhares de vítimas em nosso país, e, em outras realidades do mundo. Além da dor da perda de familiares e amigos, trouxe também uma série de conseqüências que impactaram a vida das pessoas, das famílias, das instituições caritativas, mas também naquelas comprometidas com a saúde, a educação, no cuidado espiritual das pessoas, sem esquecermos, da realidade do comércio e da indústria.

Esse tempo, marcado por tantas provações em relação à vida e à organização da sociedade como um todo, tem nos ajudado a perceber as nossas forças, a nossa criatividade para superarmos desafios que a vida nos apresenta, sem levar em conta as nossas fragilidades. As forças que merecem ser lembradas e valorizadas provêm do espírito de solidariedade e da generosidade do nosso querido Povo de Deus, que, acostumado culturalmente a encontrar-se para celebrar a vida e a fé, em família e em comunidade, fez e continua fazendo muitas renúncias, como forma de proteger a vida, dom de Deus.

Em meio a tantas provações, agradecemos ao Senhor da vida porque o distanciamento social não foi acolhido como uma oportunidade para trilhar o caminho da indiferença em relação às coisas de Deus e às necessidades dos irmãos e irmãs que passam por privações. Mas tem ajudado muitas pessoas a se fazer próximas dos mais pobres e dos enfermos, através de gestos e ações de caridade, que revelam corações tocados pelo amor, a compaixão e a ternura de Deus.

Penso que todos nós sentimos falta do encontro festivo nas comunidades, de receber familiares e amigos, de partilhar uma refeição nas festas comunitárias, de sentir o sabor da vida na sua normalidade do dia a dia. Sentimos falta daquele contato diário com as pessoas para partilhar a vida na roda do chimarrão, mas também do contato físico feito de abraços, de “apertos de mãos”, de forma tão espontânea e cheia de vida, tão típico da nossa cultura, do nosso jeito de viver e celebrar a vida.

Nessa realidade, onde o cuidado da vida merece uma atenção especial, iniciamos o mês de junho sem as tradicionais festas juninas, cheias de vida e de proximidade, que tanto marcaram a nossa infância e a vida das nossas comunidades. Com a graça de Deus, queremos vivê-lo no distanciamento e na proximidade. No distanciamento porque comprometidos com o cuidado da vida, na proximidade porque tocados pelo amor de Deus, queremos ser presença que cuida da vida, através da caridade e da solidariedade com os necessitados.

Por intercessão de Nossa Senhora de Caravaggio, nossa mãe, rainha e padroeira de nossa Diocese, abençoe-vos o Deus todo poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

 

 

 


Fonte: Noticias da CNBB

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