Da Páscoa de coelhos para a Páscoa de joelhos

Dom Aloísio Alberto Dilli
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

 

A Liturgia nos diz que a Páscoa é a celebração central da vida cristã, pois ela torna presente o ato salvífico, realizado uma vez por todas, através da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Em tempos de pandemia sentimos mais vivamente a necessidade de sermos salvos e por isso a celebração pascal deste ano está sendo tão palpável, tão real em nossa vida. Eu diria, um Tempo Pascal que faz verter com mais frequência os olhos para o Alto e para os outros; um olhar de fé e de solidariedade que percebe o quanto dependemos da graça divina e dos irmãos e das irmãs.

Está sendo uma Páscoa que, certamente, ficará na história, porque nos faz voltar mais para o essencial da vida: sua origem, seu sentido, seus valores, seu destino. A Páscoa de 2020 foi ou está sendo tão diferente que até esquecemos da abundância dos chocolates, com suas formas criativas e simbólicas, sobretudo de ovos e de coelhinhos, ou seja, nós fomos: Da Páscoa de Coelhos para a Páscoa de Joelhos. Sim, percebemos que é preciso olhar mais para o que mesmo importa na vida, que é dom e compromisso, como nos faz refletir a Campanha da Fraternidade.

Como nunca, sentimos necessidade de celebrar a Páscoa em nossa vida, pois nossas apreensões, medos e sofrimentos sentiram necessidade da cruz do Senhor para encontrar sentido e valor; talvez nunca, como agora, aguardamos com tanta esperança pela ressurreição do Senhor para dar-nos a garantia de sua consoladora presença entre nós. Foi dentro deste contexto que surgiu a seguinte prece:

 

Oração em Tempos de Pandemia e de Tempo Pascal

Ó Deus, Pai de misericórdia. Louvado sois por todas as criaturas, expressão de fraternidade universal. Sobretudo vos louvamos porque criastes o ser humano, à vossa imagem e semelhança e não o abandonastes ao poder da morte em sua atitude infiel.

Somos profundamente agradecidos pela vinda de vosso Filho Jesus Cristo, que nasceu entre nós e mereceu-nos novo sentido para a vida, recriando-nos com uma dignidade sem par, que nos tornou filhos e herdeiros, vocacionados a participar de vossa vida divina. Pela sua vida, cruz e ressurreição fomos salvos. Até nossas dores e angústias, pandemias e a própria morte foram iluminadas pela esperança de vitória e pelo dom da vida nova e eterna.

Redimidos por vosso Filho e iluminados pelo Espírito Santo, fazei que a experiência da pandemia nos ensine a retomar o sentido e os valores mais profundos de nossa vida: a filiação divina e a relação fraterna, que o mundo sempre mais está ignorando. Pai de misericórdia, experimentamos neste tempo de quarentena o quanto somos dependentes de vós e da solidariedade dos outros, nossos irmãos e irmãs. Fortificai nossa fé na vossa constante presença samaritana, consolai os que mais sofrem e abençoai os que se doam pela saúde corporal e espiritual dos outros.

Ó Deus, Pai de misericórdia, finalmente vos pedimos que surjam novos valores na vida do planeta – nossa casa comum – para substituir a visão egoísta que endeusa o poder de mercado, o consumismo insaciável e o bem-estar como objetivo último da vida. Que despontem sábias lideranças mundiais em meio à crise, também em nossas famílias, comunidades e na sociedade em que convivemos, para suscitar valores que respeitem a dignidade da vida, que promovam a justiça, a paz, a fraternidade e tantos outros que emergem do Evangelho, onde vosso Filho ensina: “Um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos” (Mt 23, 8b). Pelo mesmo Cristo, nosso Senhor. Amém.

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Fonte: Noticias da CNBB

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