Corpus Christi

Dom Aloísio Alberto Dilli
Bispo de Santa Cruz do Sul

Caros diocesanos. Vivemos em nossa diocese o ano de especial destaque à eucaristia, dentro do processo da Iniciação à Vida Cristã, no espírito catecumenal. A celebração de Corpus Christi (Corpo de Cristo) nos dá oportunidade de refletir especialmente uma das várias dimensões presentes na eucaristia: o louvor e ação de graças (eucaristia = ação de graças). A solenidade do Corpo de Cristo tem profunda ligação com a Quinta-Feira Santa, dia em que Jesus instituiu a eucaristia, o sacerdócio e ensinou o mandamento do amor, através do rito simbólico do lava-pés. No contexto celebrativo da semana santa fica difícil valorizar toda riqueza que o mistério do Pão da Vida merece. Assim sendo, a história da liturgia, sobretudo a partir do séc. XIII, fez surgir os primórdios do que celebramos em Corpus Christi, tendo como grande objetivo realizar uma manifestação pública de fé na presença real e permanente de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento e externar perene gratidão por estar entre nós, “do nascer ao pôr do sol” (Oração Eucarística III). Nosso louvor e ação de graças chega à sua expressão máxima na doxologia da missa, quando o presidente da celebração clama: “Por Cristo, com Cristo, em Cristo a vós, Pai Todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra, toda a glória, agora e para sempre”; e a assembleia toda responde afirmativamente com o solene “Amém”. Esta atitude de louvor e de gratidão se expressa também pela celebração da própria missa e pela procissão solene nas ruas das comunidades com a Hóstia consagrada. Os enfeites dos tapetes, com possíveis doações para os pobres, nos corredores de nossas igrejas e caminhos públicos fazem parte desta ação de graças.

Na solenidade de Corpus Christi, além de louvar e agradecer a Jesus eucarístico pela sua presença entre nós neste sacramento, desejamos, igualmente, apresentar-lhe o que de melhor e mais nobre possuímos, através de brilhante ostensório, dignos sacrários em nossos templos e ruas enfeitadas de belos símbolos religiosos. Contudo, não podemos esquecer o mais importante, ou seja, entrar em comunhão com Ele, acolhê-lo como divino hóspede em nossos corações, em nossa vida, e sermos sacrários vivos, portadores do Senhor em nosso convívio familiar e em nossos ambientes de trabalho e de convivência na sociedade. Saibamos honrar sua presença na eucaristia, seja nos locais e objetos preciosos, seja em nós mesmos e nos irmãos e irmãs que vivem ao nosso lado, sobretudo os necessitados.

Assim a espiritualidade eucarística revela diversos aspectos (dimensões) em sua unidade indivisível: ela nasce numa Ceia pascal que torna presente o Sacrifício da cruz e a Ressurreição (Páscoa), efetuando a maior Ação de graças possível pela salvação da humanidade, tornando-se fonte e ápice de toda evangelização. Portanto, viver uma espiritualidade de Jesus eucarístico, longe de qualquer devocionismo ou intimismo, significa comungar sua vida, dada em sacrifício, tornando-nos, com Ele e os irmãos, oblação e ação de graças ao Pai em nossa missão evangelizadora, pois ele se torna Pão da missão. A solenidade de Corpus Christi destaca de forma especial a dimensão do louvor e da ação de graças, sem dispensar as demais, também sempre presentes em todas as celebrações ou manifestações eucarísticas.

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Fonte: Noticias da CNBB

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