Comunhão e Partilha

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

No clima bastante tendencioso da liberdade de expressão da cultura moderna dos últimos tempos, ganham forte publicidade as incoerências, os desrespeitos e atitudes antiéticas. Os contravalores recebem destaques de forma preocupante e pouco ajuda na integridade da sociedade. Mas em meio a esta ceara negativa, temos muita coisa boa e relevante acontecendo no meio do povo.

Mesmo recebendo muitas críticas infundadas e desleais, os bispos do Brasil, reunidos na Conferência Nacional, no meio de muitas coisas boas e positivas para o povo, é realizado um gesto louvável de partilha, expressão de comunhão e solidariedade entre as Igrejas particulares. As questões econômicas são uma preocupação, porque afetam fortemente o trabalho pastoral.

Já há mais de cinco anos que está em prática um gesto de comunhão e partilha entre todas as arquidioceses, dioceses e prelazias. Um por cento do que entra nessas instituições é recolhido num caixa comum e é administrado por uma Comissão, que tem como finalidade ajudar às mais carentes, principalmente na formação dos futuros padres. E são centenas de seminaristas beneficiados.

O Brasil é um país com dimensões grandes e privilegiado de riquezas, mas com enormes diferenças regionais e muita concentração de renda, dificultando a viabilidade de ação pastoral em diversas dioceses. Isto significa que a partilha entre os bispos é louvável e ajuda a superar carências localizadas. É também uma prática que pode ajudar a sensibilizar os corações egoístas.

O grande desafio de muitas dioceses é conseguir arcar com as despesas na formação de seus padres. Vocações para o ministério presbiteral existem, basta fazer um bom trabalho vocacional, mas a formação é bastante dispendiosa e muito cara. Formar padre com qualidade é um investimento importante, possibilitando uma ação pastoral para hoje, também com melhor qualidade.

Aos leigos das diversas Igrejas particulares deve-se dizer uma palavra de agradecimento, porque todas as ajudas e as ofertas oferecidas nas diversas paróquias existentes pelo Brasil significam participação na formação de sacerdotes. Um por cento que é enviado pelas dioceses, para esse fundo de comunhão e partilha, significa participação de todas as pessoas neste gesto de solidariedade.

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Fonte: Noticias da CNBB

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