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Em Maria, a Palavra se fez carne

Dom Severino Clasen
Arcebispo de Maringá (PR)

 

Em Maria, a Palavra se fez carne

Maio é considerado o mês das flores. Mesmo que, em algumas regiões, os sinais do outono tornam-se evidentes, consequentemente diminuem a exuberância das cores da natureza e suas flores.

Uma das razões para destacar o mês das flores é mês de Maria, a mãe de Jesus, o mês das mães. São tantas flores ofertadas às mães e a Nossa Senhora!

Com ternura e amabilidade o anjo Gabriel aproxima-se de Maria e comunica a notícia mais fantástica que uma jovenzinha poderia esperar, o anúncio de ser mãe, mãe do filho de Deus. É extraordinária essa notícia. Maria reluta, mas dialoga, e acolhe o anúncio sem grandes explicações. Santo Agostinho, no Sermão 215,4, diz: “após essas palavras do anjo, ela, cheia de fé, concebendo a Cristo em sua mente antes do que em seu seio, disse: Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Eis a forma do comunicado do anjo para ela ser a mãe do redentor e encoraja, “não tenhas medo, conceberás pela obra do Espírito Santo”.

Santo Agostinho continua: “Por certo, a santa Virgem Maria fez totalmente a vontade do Pai, e por isso mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que a mãe de Cristo. Maior felicidade para ela ter sido discípula do que mãe. E, assim, esta é uma bem-aventurada, porque antes de dar à luz o Mestre ela já trazia em seu espírito” (Do Sermão 72 A. 7). Nestas palavras, Santo Agostinho destaca a grandeza de Maria para a Igreja. A devoção mariana justifica a espetacular devoção que enriquece a fé no Cristo Ressuscitado.

O mistério da encarnação de Jesus é a confirmação da presença criativa, insistente de Deus que caminha no meio de seu povo. A percepção da presença do Filho de Deus, nascido da Virgem Maria, contribui para a Igreja crescer no amor e na ternura.

Jesus, o Verbo que se fez carne, é a comunicação do projeto do Reino de Deus para converter o mundo. Para o dia mundial das Comunicações Sociais, o Papa Francisco dá o tom da comunicação, “Vem e verás” (Jo 1, 46). Comunicar encontrando as pessoas onde estão e como são”. Como Maria, digamos sim à verdade e construamos a harmonia nas famílias e na sociedade, comunicando sempre a justiça.

Na Assembleia Geral da CNBB, em plataforma on-line, nos dias 12 a 16 de abril de 2021, o Tema central foi “Casas da Palavra – Animação bíblica da vida e da pastoral nas comunidades eclesiais missionárias”. Diz o texto de estudos: “A imagem da Escritura como fonte da evangelização é de grande força evocativa. Se faltar a fonte, a água não jorra; a vida desfalece. Sem água a harmonia da criação se rompe. Ao propor-se à Animação Bíblica da Vida e da Pastoral, a Igreja no Brasil não busca nenhuma novidade. No entanto, reconhece que se quiser evangelizar com alma, com paixão, se deseja que a fonte da Palavra sempre jorre para seu povo, a Sagrada Escritura necessitará de um lugar central em tudo que projetar e fizer”.

Os inúmeros grupos de reflexão espalhadas no território da Arquidiocese são sinais de uma Igreja orante, que medita a Palavra de Deus na família e entre os vizinhos.

As comunidades espalhadas no território da Arquidiocese de Maringá, no mês dedicado a Maria, a mulher da fé, homenageiam a mãe, reconhecem que dela aprende-se os caminhos da fé, meditar sobre a Sagrada Escritura, crescer na espiritualidade, ser obediente a vontade de Deus.

Aproveitemos a oportunidade para fortalecer a fé através da Palavra de Deus, rezar e meditar em família. Como igreja doméstica peçamos a Maria, coragem e sensibilidade humana.

Que Jesus, Maria e José nos ajude a aliviar as dores de tantas famílias que perderam seus entes queridos, proteja os profissionais da saúde e tenham a força do ressuscitado na vida cotidiana.

 


Fonte: Noticias da CNBB

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