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A vida nova dada pelo Ressuscitado!

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

 

A liturgia deste domingo apresenta-nos essa comunidade de Homens Novos que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus: a Igreja. A sua missão consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição. Com Tomé e a comunidade dos discípulos de Jesus, fazemos um salto de fé ao reconhecer o Senhor Ressuscitado no meio de nós!

Na primeira leitura(At 4,32-35) temos, numa das “fotografia” que Lucas apresenta da comunidade cristã de Jerusalém, os traços da comunidade ideal: é uma comunidade formada por pessoas diversas, mas que vivem a mesma fé num só coração e numa só alma; é uma comunidade que manifesta o seu amor fraterno em gestos concretos de partilha e de dom e que, dessa forma, testemunha Jesus ressuscitado.

No Evangelho(Jo 20,19-31) sobressai a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã; é à volta d’Ele que a comunidade se estrutura e é d’Ele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho) que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.

A segunda leitura(1Jo 5,1-6) recorda aos membros da comunidade cristã os critérios que definem a vida cristã autêntica: o verdadeiro batizado é aquele que ama Deus, que adere a Jesus Cristo e à proposta de salvação que, através d’Ele, o Pai faz aos homens e que vive no amor aos irmãos. Quem vive desta forma, vence o mundo e passa a integrar a família de Deus.

A Páscoa do Senhor produz grandes frutos. E isso já pode ser notado na vida da comunidade. A vontade de estar unidos, partilhando o que se tem, demonstra um horizonte fecundo do que seja a doação da vida do próprio mestre. Ali, onde todos se reúnem e celebram, também existe a doação, o pensamento voltado para as necessidades dos menos favorecidos e o crescimento em comum. O Ressuscitado traz aos seus frutos muito específicos: a paz e a fé. Se para aqueles que abraçaram o novo modo de vida existem frutos de partilha, para aquela comunidade primeira – a dos discípulos – , existem frutos de paz na saudação de Jesus. Uma saudação que traz alegria, que reconforta os corações amedrontados, mas que está em missão. Entretanto, para aqueles que ainda não estão plenamente convencidos – simbolizados em Tomé – , existe uma exortação para a fidelidade, para que a crença não seja eclipsada pela dúvida, mas siga produzindo outros frutos de crescimento e alegria para todos os que, crendo, tenham vida em Jesus.

Agradecemos a Deus pela infinita misericórdia do Senhor para conosco. Crer significa experimentar que Deus é Amor, que nos ama, quer-nos bem e deseja, unicamente, nossa felicidades ainda que muitos homens e mulheres tenham experimentado, nas igrejas, o gosto amargo da infelicidade. Deus não faz o que desejamos, mas certamente Ele faz o melhor para nós pela comunhão fraterna!

 


Fonte: Noticias da CNBB

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