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Páscoa: renovação e alegria

Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal (RN)

 

                A Igreja se alegra pela Páscoa do Senhor. Jesus ressuscitou, a nossa esperança renovou. Após o tempo da Quaresma, onde a Igreja nos exortou à penitência, à conversão, à pratica do jejum, da esmola e da oração, como sinais de conversão, agora ela nos introduz no tempo Pascal, tempo de alegria, de ação de graças e de renovação de nossa fé. Tempo de confiança na vitória de Cristo. Ele venceu a morte, vencerá tudo o que traz treva e tristeza para os homens e as mulheres.

                A Páscoa, em hebraico “Pesach”, significa passagem, saída de uma situação. Originalmente, na experiência do povo eleito de Deus, Israel, era a festa de comemoração libertação da escravidão, simbolizada já no ato de Deus livrar seu povo da passagem do anjo exterminador dos primogênitos dos egípcios (cf. Ex 12,1-28). Trata-se da última advertência de Deus ao Faraó, na intenção de fazer o seu povo sair da escravidão do Egito. A partir daquele momento o povo de Israel comemorará essa festa com atenção e desvelo. Também Jesus ia todos os anos a Jerusalém, ainda mesmo como criança (cf. Lc 2,41). No Evangelho de São João encontramos relatos de que, enquanto realizava sua missão de pregador do Reino de Deus, Jesus foi a Jerusalém em várias ocasiões (cf. Jo 2,13 – episódio do gesto profético no templo; Jo 5,1s – cura do paralitico; Jo 7, 1-14.37; Jo 10,22s; Jo 11,55; 12,12 – a última páscoa). Entre essas ocasiões estava a festa da Páscoa. Na última Páscoa, Jesus celebra com seus discípulos, e realiza a mudança de sentido: agora, não se trata de um “anjo exterminador” que passa, mas o Filho que vem para salvar. Sua passagem não condena ninguém, mas redime. E mais, não será pelo sangue de animais, ao contrário, será o seu próprio sangue, que também não será mais exposto nos portais de nossas casas, mas será alimento, bebida de salvação (cf. Mt 26,26-29; Mc 14,2325; Lc 22,14-23; ver também 1Cor 11,23-26).

                Ao celebrar a festa da Páscoa, memorial da passagem de Jesus Cristo, da morte para a vida, a Igreja se revigora e se rejuvenesce. Ela encontra, na Ressurreição do Senhor, a força para seguir anunciando o seu Evangelho, boa nova para todos os homens e mulheres. Sim, o Cristo que foi crucificado, derramou seu sangue, morto injustamente; é a revelação do amor gratuito de Deus por cada homem e cada mulher. Ele se sacrificou por nós, entregou sua vida por nós (cf. Jo 3,16; Gl 2,20; Lc 23,46). A revelação de Jesus alcança seu cume, pois por ela deu a vida. Ele mesmo tinha afirmado: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a própria vida por seus amigos” (Jo 15,13). A revelação de Deus, realizada por Jesus levou a isso. Sua morte se torna redentora porque o amor de Deus é redentor, renova, transforma. Ele não se furta a esse sacrifício, mas ama até o fim. Destrói o pecado naquilo que parecia ser a consequência mais funesta da ingratidão dos homens e das mulheres em relação ao amor recebido: a morte, e morte de Cruz, isto é, como rejeição de um inocente, de alguém que passou a vida fazendo o bem.

                Pelas suas chagas fomos curados (Is 53,5). Eis que estamos renovados, envolvidos pelo poder da Ressurreição. Deixemo-nos guiar por Ele, o Senhor vitorioso e vivente, ressuscitado não morre mais, e nele, nós temos a verdadeira vida. Celebremos a Páscoa, e tenhamos confiança: Ele venceu e nos deu essa vitória. Boa Páscoa. Que sejamos felizes!

 


Fonte: Noticias da CNBB

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