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Dom Pedro Carlos Zilli, o primeiro bispo brasileiro missionário na Guiné-Bissau, morre vítima da Covid-19

A diocese de Bafatá, na Guiné-Bissau (África), acaba de anunciar a morte de dom Pedro Carlos Zilli (Pontifício para Missões Estrangeiras – Pime), nesta quarta-feira, 31 de março, em decorrência da Covid-19. Natural de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), foi enviado por seu instituto Pontifício para Missões Estrangeiras como padre missionário à Guiné Bissau em 1985. Tornou-se o primeiro bispo da diocese de Bafatá, Igreja onde exerceu seu ministério por 33 anos e acolheu muitos missionários brasileiros. Ele também é considerado o primeiro bispo missionário brasileiro.

A Igreja do Brasil, por meio da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o do seu Regional Sul 2, mantém projetos missionários na Guiné-Bissau, entre eles a missão dedicada a São Paulo VI.

O regional enviou à diocese 20 mil bíblias. Em entrevista ao site da diocese de Maringá, Dom Pedro falou das dificuldades de evangelização no país marcado pela guerra e cuja população é composta por 15% de cristãos. “Os católicos são minoria, então a prioridade lá é o primeiro anúncio”, disse.

Biografia e trajetória eclesial

Nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), em 7 de outubro de 1954. Dom Zilli prestou seus votos em 6 de julho de 1984 e recebeu a ordenação sacerdotal em 5 de janeiro de 1985, em Ibiporã (SP). No mesmo ano foi enviado à Guiné-Bissau, tornando-se vigário paroquial na missão de Bafatá.

Foi também delegado do bispo para a zona pastoral de Cacheu e presidente da Comissão para a Formação dos Seminaristas Maiores, de 1986 a 1998, e superior regional do PIME na Guiné-Bissau, de 1993 a 1997.

De volta ao Brasil em 1998, e então padre Zilli exerceu as funções de diretor espiritual do seminário filosófico do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras e vice-superior regional do mesmo para o Brasil-Sul, em Brusque (SC). Foi nomeado por São João Paulo II como bispo em 13 de março de 2001. Definido como primeiro bispo missionário brasileiro, sua sagração episcopal ocorreu em 30 de junho de 2001.

Nota de pesar pelo falecimento de Dom Pedro Carlos Zilli

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifesta pesar pelo falecimento de Dom Pedro Carlos Zilli, primeiro bispo da Diocese de Bafatá, na Guiné-Bissau, na África, na tarde desta quarta-feira, 31 de março, em decorrência da Covid-19.

Unimo-nos em solidariedade aos familiares, amigos, ao povo de Deus e missionários na diocese de Bafatá e ao Pontifício para Missões Estrangeira (PIME) que puderam se enriquecer com a doação deste nosso irmão brasileiro enviado como missionário para evangelizar uma parcela do povo africano.

Em preces pela alma de Dom Pedro Carlos Zilli reforçamos que ele, como os primeiros cristãos, não enfrentou tempos fáceis em seu ministério em solo africano. Contudo, conforme o Papa Francisco assinalou em sua mensagem para do Dia Mundial das Missões deste ano, testemunhamos que, pela sua fé em Jesus Cristo, esse nosso irmão espalhou o perfume do Evangelho, suscitando por onde andou aquela alegria que só Espírito pode dar.

Diante do testemunho dedicado de Dom Pedro Zilli, reiteramos a certeza de que “a pessoa que se oferece e entrega a Deus por amor, seguramente será fecunda” (Jo 15, 5).

Em Cristo,

Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte, MG
Presidente

Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre, RS
1º Vice-Presidente

Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima, RR
2º Vice-Presidente

Joel Portella Amado
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
Secretário-Geral


Fonte: Noticias da CNBB

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