CNBB

Diálogo, perdão e reconciliação

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

O tema da Campanha da Fraternidade deste ano enquadra o diálogo como construtor e catalizador de um processo de perdão e reconciliação, tanto pessoal como comunitário e social. O objetivo geral nos fala de superar as polarizações e a cultura de violência que faz parte do cotidiano e que a pandemia escancarou e tornou mais visível.

A reconciliação, insiste Robert Schweitzer no seu livro sobre o ministério da reconcilição social e a espiritualidade e as estratégias que fazem parte desta proposta é, em primeiro lugar, oferta graciosa de Deus, porque Ele é nossa Paz (Ef 2,14), e é partilhada antes que nada e, principalmente, pelas vítimas da injustiça e da violência.

Não basta somente pensar em estratégias para que isso aconteça, mas testemunhar com o diálogo profético, em destemida esperança, de que a graça de Deus realmente cura e que através da obra reconciliadora de Jesus Cristo, as barreiras de hostilidade podem ser postas abaixo e aqueles que estavam divididos podem se tornar um.

É o que ensina, também, o Pe Leonel Narvaez, na sua obra fundadora da ESPERE (Escolas de Perdão e Reconciliação) sobre a cultura do perdão pois, sem perdão, nunca iniciamos um caminho de paz. Requer comunidades que vivam a honestidade, a compaixão e a aceitação incondicional, que aproximem vítimas de ofensores, restaurando e curando a memória, para pactuar uma nova convivência na justiça e na concórdia amorosa e fraterna.

O diálogo possibilita espaços de escuta das narrativas, supera preconceitos e auto fechamentos de ressentimento e ódio. Se esta espiritualidade e vivência do perdão, da misericórdia, da reconciliação e da paz social não ajudam a celebrar a quaresma, não sei mais o que significa conversão e renovação da vida cristã e retomada do nosso batismo.

Mas, olhando e meditando o Evangelho deste domingo, da Purificação do Templo, temos que indignar-nos como Jesus, para tornar nossas comunidades casas de oração fraterna e acolhida dos pobres, e não agências de cambistas, ou lugar de idolatria, onde se preferem sacrifícios vazios que ignoram a vida humana e ofendem ao Deus misericordioso e clemente que quer a salvação de toda a família humana e de toda a Criação. Deus seja louvado!

 

 


Fonte: Noticias da CNBB

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