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“Eu vejo aqui a presença de Deus!”, afirmou dom Joel na inauguração da Casa Bom Samaritano, em Brasília (DF)

A Casa Bom Samaritano, destinada a acolher temporariamente migrantes e refugiados venezuelanos que estão na condição de abrigados em Boa Vista (RR) e que serão interiorizados a partir de oportunidades de trabalho na região do Distrito Federal, foi inaugurada na quinta-feira, em Brasília, capital do país.

A iniciativa faz parte do projeto Acolhidos por meio do trabalho, implementado pela AVSI Brasil e Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH)/Irmãs Scalabrinianas e financiado pelo Departamento de População, Refugiados e Migração (PRM), do governo dos Estados Unidos, para fortalecer as ações da força tarefa humanitária Operação Acolhida, liderada pelo governo federal.



A inauguração do espaço, cedido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), aconteceu em cerimônia restrita devido aos protocolos preventivos contra a pandemia, e também contou com transmissão pela internet, no Youtube (veja abaixo).

Thaís Braga, gerente do projeto “Acolhidos por Meio do Trabalho”
Thaís Braga, gerente do projeto “Acolhidos por Meio do Trabalho”

Durante a cerimônia, Thaís Braga, gerente do projeto acolhidos por meio do trabalho, disse que o evento tinha como objetivo celebrar um momento muito importante para todos os envolvidos, mas principalmente para migrantes e refugiados venezuelanos que estão em busca de um recomeço por meio de uma oportunidade no DF.

“Nós buscamos reunir instituições parceiras que tem um grande papel mobilizador e influenciador na área da migração venezuelana no Brasil e esperamos que possam trabalhar conosco para concretizar o propósito dessa casa: acolher, promover o bem estar e apoiar a autonomia dos venezuelanos que aqui transitarão em tempo provisório”, disse.

Na ocasião, ela explicou que os migrantes e venezuelanos interiorizados para trabalhar no DF vão ficar no imóvel, cedido pela CNBB e com o apoio do IMDH. O espaço, de acordo com ela, servirá como uma residência temporária para núcleos familiares e indivíduos em sistema rotativo de acolhida. Disse também que 15 famílias poderão permanecer na Casa por até três meses, interiorizados pelo trabalho. “Aqui também ocorrerão outras atividades multidisciplinares para acompanhar esse grupo enquanto permanecerem aqui”, salientou.

Dom Joel Portella, secretário-geral da CNBB
Dom Joel Portella, secretário-geral da CNBB, na cerimônia de inauguração

O imóvel, localizado na região do Lago Sul, tem capacidade para acomodar até 94 pessoas simultaneamente e conta com uma área construída de mais de 3 mil metros quadrados. Dom Joel, secretário-geral da CNBB, entidade que cedeu o imóvel, disse que a iniciativa não poderia ser feita se não fosse pela capacidade de trabalhar em conjunto com tantas instituições.

“A CNBB não fez mais do que sua obrigação. O prédio estava desde que deixou de ser moradia provisória vazio. E hoje depois desses sonhos todos e dessa articulação, dessa rede, como um homem de fé eu posso dizer: eu vejo aqui a presença de Deus!”, enfatizou.

Segundo dom Joel, o sonho de cada um ali desde o início tem “o dedo, o sonho, o coração de Deus”. Ainda de acordo com ele, a iniciativa era uma forma de resgate do ser humano.

Já a irmã Rosita, diretora do IMDH, afirmou ser um início esperançoso para muitas pessoas que seguramente encontrarão o acolhimento.

“Acolher os migrantes e integrar é um aspecto muito claro que corresponde ao senso humanitário que todos nós seguramente temos, por isso é muito satisfatório e animador viver esse momento, que corresponde também a um grande apelo que o Papa Francisco tem feito”, disse.

Irmã Rosita Milesi, diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos
Irmã Rosita Milesi, diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos, na cerimônia de inauguração

Irmã Rosita espera que a “Casa Bom Samaritano” seja um instrumento de fortalecimento da fé, de preparação e de apoio para que as pessoas se sintam integradas e com inserção cidadã.

O diretor e presidente da AVSI Brasil, Fabricio Pellicelli, recordou a importância do dia e disse que a iniciativa era um “um marco, uma nova aventura, uma grande responsabilidade”.

A Cerimônia

O espaço

• 18 quartos/suítes equipados com mobiliário, roupa de cama e kit higiene;
• Cozinha equipada com fogão industrial, freezer e geladeiras;
• Refeitório e louçaria;
• Lavanderia;
• Brinquedoteca;
• Salas de aula para cursos de português, informática e preparação laboral;
• Sala de leitura;
• Auditório;
• 11 banheiros individuais;
• Plataforma elevatória para idosos ou PCD;
• Capela.

O projeto

Lançado em outubro de 2019, o projeto Acolhidos por meio do trabalho prevê a colocação no mercado de trabalho e interiorização de venezuelanos adultos com suas famílias, além da colocação no mercado de trabalho de brasileiros em situação de vulnerabilidade social; e cursos preparatórios vinculados ao mercado de trabalho.

Em um ano, o projeto realizou a interiorização de 420 venezuelanos, sendo que 227 foram contratados no mercado formal e os outros 193 foram acompanhantes familiares, totalizando 13 processos de interiorização – cinco em Santa Catarina, dois no Mato Grosso, dois no Distrito Federal e um nos seguintes estados: Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

O Acolhidos por meio do trabalho conta com a parceria estratégica da Fundação AVSI e AVSI-USA e o apoio institucional da Casa Civil da Presidência da República, da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e de entidades da sociedade civil que atuam na temática do refúgio e da migração.


Fonte: Noticias da CNBB

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