CNBB

Dízimo: expressão de amor e partilha

Dom Adimir Antonio Mazali
Bispo de Erexim (RS)

 

            A todos que nos acompanham em Voz da Diocese, nossa saudação em Cristo e nossa estima, desejando um bom final de semana.

            Caríssimos irmãos e irmãs. Estamos no 4º Domingo do Tempo Comum e a Palavra de Deus proclamada na liturgia nos apresenta a inconformidade de Deus com os projetos de egoísmo e de morte presentes no mundo e que escravizam cada vez mais o ser humano. Diante disso, Ele propõe o projeto do Reino que liberta, que renova a esperança e garante a vida plena. O gesto de Jesus ao curar o homem possuído na sinagoga, num dia de sábado, coloca em relevo o valor da vida e da liberdade; mostra ainda que toda pessoa precisa ser acolhida, respeitada e liberta de todas as forças negativas que a escravizam e geram morte.

            Também São Paulo na Carta aos Coríntios faz o convite a todos os cristãos a repensarem as suas prioridades e a superar as realidades que impedem viver o compromisso com o Reino proposto por Jesus no serviço a Deus e também aos irmãos.

            Assim, compreendendo o primado do Reino e o valor da vida, somos chamados a contribuir de forma concreta no anúncio desta proposta através da participação na comunidade e da colaboração por meio do dízimo. Dízimo que não é pagamento; que não nos dá benefícios nesta vida; que não nos dá direitos materiais, mas que é a forma de nossa devolução a Deus, mediante a nossa comunidade, como forma de ação de graças pelo muito que d’Ele recebemos. Dízimo é doação; é expressão de amor e partilha.

            O dízimo é uma forma de nossa comunhão eclesial e sinal de pertença à comunidade na qual participamos. Ele expressa ainda nossa maturidade e consciência de colaborar com a missão da Igreja, pois o mesmo serve para fortalecer a fé e o sentimento de pertença a uma comunidade cristã.

            O dízimo possui quatro finalidades: primeira, a dimensão religiosa, que expressa nossa relação de gratidão a Deus; a segunda, a dimensão eclesial, ou seja, que atende a manutenção do templo, dos ministros e funcionários e a realização do culto divino; a terceira é a dimensão social-caritativa, destinada a atender às obras sociais de misericórdia, a atenção aos pobres e necessitados; e a quarta é a dimensão missionária, que atende a ação pastoral, ou seja, a evangelização e a comunhão com outras comunidades mais carentes, seja em nível local ou além-fronteiras.

            Prezados irmãos e irmãs. Ser dizimista não é uma escolha, mas uma ação decorrente da nossa condição cristã. Ele é um compromisso mensal regular que ajuda a comunidade a atender suas necessidades. O dízimo é a oferta de coração generoso que se sente responsável pela vida da comunidade.

             Como diz a liturgia de hoje, precisamos repensar nossas prioridades, nosso compromisso com a Igreja e com os irmãos e estar atentos aos verdadeiros valores do Reino de Deus deixando-nos tocar pela ação de Jesus que continua a agir em nós e a nos ensinar a superar em nossas comunidades toda forma de exclusão e de divisão.

            Que o Bom Deus nos confirme e nos mantenha fiéis ao seu projeto, à sua vontade. Amém!

 

 


Fonte: Noticias da CNBB

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