CNBB

A educação católica (2)

Dom Antonio de Assis Ribeiro
Bispo Auxiliar de Belém do Pará (PA)

A Educação Católica: a necessidade do desenvolvimento integral (2)

Introdução

O ser humano é pluridimensional, mas constitui uma totalidade unificada. Essa complexa realidade natural do ser humano exige que a educação seja integral. Sendo assim, não haverá verdadeiro desenvolvimento sem a promoção de todas as dimensões humanas e de modo harmonioso.

As dimensões humanas são transversais, interdependentes, interativas e se dinamizam em todos os níveis de relações da pessoa. A formação integral estimula o desenvolvimento harmonioso do sujeito em formação.

Num mundo profundamente marcado pela fragmentação e pelos múltiplos reducionismos, a educação é tentada a desviar-se da atenção à totalidade de pessoa. Quando isso acontece, a educação promove um desequilíbrio.

Temos muitos recursos

A necessidade da educação integral brota do reconhecimento dos múltiplos recursos naturais dos quais o ser humano é portador, mas que precisam ser desenvolvidos e orientados. Por outro lado, o ser humano não tem somente potencialidades positivas, mas também fragilidades, tendência e instintos que devem ser orientados.

Essa é a tarefa da educação que deve atingir a pessoa humana por inteira. Por isso, educar é muito mais que oferecer informação. O “educando” não deve ser tratado como um recipiente passivo que só serve para receber conteúdo. O ser humano, na verdade, tem muitas fomes, sedes, desejos! Educar é aprimorar o ser humano.

Recordemos a letra da música “Comida” do grupo Titãs, que a seu modo, nos faz lembrar as múltiplas necessidades do ser humano.

“A gente não quer só comida… A gente quer comida, diversão e arte! A gente quer saída para qualquer parte… A gente quer bebida, diversão, balé! A gente quer a vida como a vida quer. A gente quer comer e quer fazer amor. A gente não quer só comer… A gente quer prazer pra aliviar a dor! A gente não quer só dinheiro… A gente quer dinheiro e felicidade! A gente não quer só dinheiro… A gente quer inteiro e não pela metade” (Grupo Titãs).

Eis de modo poético, a grande sensibilidade que a educação católica oferece! A educação mercantilista, reducionista, tecnicista gera profundas perdas. Os educadores católicos são chamados a zelar pela beleza, amplitude e profundidade do perfil da proposta da educação católica.

O reconhecimento da dignidade humana faz toda a diferença na concepção e gestão da educação. A educação católica se entende como processo de desenvolvimento de todas as dimensões humanas com suas naturais potencialidades. Daí emerge uma sensibilidade pedagógica plural em muitas direções e preocupações!

A educação acolhe e promove o ser

A atenção educativa às naturais potencialidades do ser humano é muito importante para que a pessoa possa ser acolhida e respeitada em seu ser, e não ser tratada conforme as circunstâncias, interesse das instituições e nem status de qualquer natureza (religiosa, cultural, étnica, profissional, econômica, política etc).

É por isso que dizemos que a pessoa humana é sempre “um fim em si mesmo”. Ser “fim em si mesmo” significa que a pessoa jamais deve ser instrumentalizada. Ela é portadora de uma dignidade tal que, não lhe permite ser tratada como meio para alguma coisa. Trata-se do princípio do respeito absoluto pelo seu ser com todas as suas naturais exigências. Não deve ser manipulada pelas ciências, pela religião, nem pela economia, pela política, nem pela sexualidade…

A educação, acolhendo essa grande, favorece a autocompreensão do ser humano para que seja sujeito consciente de si mesmo, com todas as suas dimensões e aberto para o crescimento pleno e harmonioso.

A verdadeira educação deve ser aberta às manifestações do ser e, por isso, não deve se deve tolerar que seja manipulada, ideologizada, reducionista, submissa à interesses particulares religiosos, culturais, ideológicos, políticos, econômicos, etc. prescindindo nas naturais necessidades do ser humano. Quando isso acontece, a pessoa mal formada manifestará em seu comportamento graves formas de desequilíbrios.

Quando o Estado usa sua estrutura política para promover uma educação “ideologicamente proselitista” está negando a sua função de promotor da dignidade humana… Está atentando contra a liberdade humana e a grandeza da educação! Quando o Estado (ou qualquer instituição) se impõe ideologicamente na educação está agredindo o direito à harmonia na formação do cidadão.

Uma educação manipulada, ideologizada, tendenciosa, fere a dignidade humana porque é seletiva nos conteúdos e moralmente indutiva, forjando nos educandos um determinado modo de pensar a agir. Assim desrespeita a vulnerabilidade do ser humano em processo de formação… (criança, adolescente, jovem, analfabeto…). Dessa forma se torna uma “educação” antiética, usando uma forma que deforma a pessoa. A autêntica educação acolhe e promover o ser humano na sua totalidade de dimensões.

Todas as dimensões da pessoa humana devem ser abraçadas pela educação. Por isso ela deve considerar a inteligência, a vontade, a liberdade, a afetividade, a sexualidade, a sociabilidade, a moralidade, a ludicidade, a política, a economia, a espiritualidade … etc. Abordaremos no próximo texto algumas breves preocupações educativas de cada uma dessas dimensões.

PARA REFLEXÃO PESSOAL:

  1. O que significa afirmar que o ser humano é pluridimensional?
  2. Quais impulsos ou instintos devem ser canalizados e educados no ser humano?
  3. O que significa dizer que o ser humano tem um “fim em simesmo”?

 

 


Fonte: Noticias da CNBB

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