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 “Eis o Cordeiro de Deus!”

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

Desde segunda-feira passada após a Festa do Batismo do Senhor, iniciamos em toda Igreja que peregrina neste vale de lágrimas a primeira parte do tempo comum, que vai até a terça-feira antes da quaresma. Celebramos neste final de semana o 2º Domingo do Tempo Comum, que tem como característica principal é mostrar Jesus em sua vida pública, ensinando e pregando o Reino de Deus.

O tempo comum é predominado pela cor verde, os paramentos do celebrante e toda a liturgia traz essa cor. A Igreja escolheu a cor verde porque é a cor da esperança, ou seja, a esperança na vinda do Reino de Deus, anunciado por Jesus. O tempo comum nada mais é do que acompanhar Jesus pelos lugares que ele percorreu na Judeia e sua subida até Jerusalém. Essa primeira parte do tempo comum nos prepara para celebrarmos a principal festa do Cristianismo que é a Páscoa.

Que durante esse tempo comum possamos ouvir Deus falar ao nosso coração, por meio da sua Palavra que nos salva e cura e deixemos Jesus ser o centro da nossa vida e que por meio daquilo que ele nos ensina coloquemos em prática o Reino de Deus, coloquemos a nossa vida a serviço do reino.

Nesse tempo comum somos convidados a ofertar a nossa vida ao Senhor e como o próprio Jesus nos ensina, somos convidados a colocar em prática aquilo que ouvimos e servir com amor o nosso irmão, sobretudo o pobre e necessitado. Que durante esse tempo unamo-nos a Jesus em sua oferta de amor ao Pai.

A primeira leitura deste domingo (1Sm 3,3b-10.19), o Senhor chama por três vezes Samuel, e ele responde “Estou aqui”, mas Samuel pensava que quem o chamava era Eli, mas Eli disse a Samuel que não era ele que lhe chamava e Eli começou a desconfiar que quem estava chamado o jovem era Deus. Por isso Eli diz ao jovem Samuel, da próxima vez que escutar essa voz te chamando responda: “Senhor, fala que teu servo escuta”. O Senhor chamou por Samuel novamente e ele respondeu ao chamado como Eli havia dito. E Samuel começou a servir a Deus e crescia e Deus sempre estava com ele.

Oxalá também nós possamos fazer como Samuel e responder com sinceridade de coração ao chamado do Senhor, que não coloquemos outros empecilhos na frente e não deixemos Deus para segundo plano, mas não importa a situação em que nos encontrarmos, estejamos sempre dispostos a servir ao Senhor.

O salmo responsorial 39(40), diz em seu refrão “Eis que venho com prazer Senhor e faço a sua vontade”, ou seja, que estejamos sempre dispostos a fazer a vontade do Senhor. Por muitas vezes, infelizmente, queremos fazer a nossa e nem sempre a nossa vontade é a mesma de Deus.

Na segunda leitura (1Cor 6,13c-15a.17-20), o apóstolo São Paulo exorta a comunidade de Corinto e a nós, a nos preservarmos do pecado e guardar o nosso corpo de todo o mal. Para que esse nosso corpo mortal seja preservado para o dia da nossa morte. Nosso corpo é templo do Espírito Santo, pois fomos batizados e o Senhor habita nele e o mesmo espírito fará com que ressuscitaremos com esse corpo no dia final.

No evangelho (Jo 1, 35-42), João Batista aponta para os seus discípulos Jesus como o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo. Ouvindo essas palavras os dois discípulos fora ter com Jesus e o seguiram. Jesus volta-se para eles e pergunta o que eles procuravam e eles disseram que queriam saber aonde Jesus morava e ele lhes diz: “Vinde ver”. Foram ver e ficaram com ele naquele dia, André irmão de Simão Pedro, era um dos que ficaram com Jesus. Ele foi ter com seu irmão e lhe disse que encontraram o Messias. André conduziu seu irmão até Jesus, e Jesus olhou profundamente e disse: “Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas” (que quer dizer: Pedra). (Cf. Jo 1,42).

Observamos nesse Evangelho o início da vida pública de Jesus e dois discípulos quiseram estar com Ele, a partir daí começaria a missão de Jesus e a missão da Igreja, pois desde o princípio ela é missionária. Jesus olha para Pedro e já identifica nele aquilo que ele seria mais adiante, a pedra fundamental do início da sua Igreja.

André e Simão não colocaram obstáculo para seguir a Jesus, mas deixaram tudo para trás e começaram a seguir o mestre. Jesus não lhes impôs nada, mas eles se sentiram tocados pelo estilo de vida de Jesus e por sua entrega total a Deus que quiseram fazer o mesmo.

Assim como Samuel na primeira leitura é Deus que chama os discípulos para seguirem o Mestre, da mesma maneira que Eli que foi instrumento para Samuel, João Batista foi um instrumento de Deus para esses discípulos.

Que Deus nos estimule e encoraje para testemunharmos o amor de Deus em nossa vida e coloquemos sempre Ele como prioridade em nossas tarefas diárias. Estejamos sempre prontos da mesma forma que Samuel e os dois discípulos estavam a respondermos com alegria o nosso Sim a Deus. E que possamos ser instrumentos de Deus para tantas pessoas e assim como João apontar o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

 

 

 

 

 

 


Fonte: Noticias da CNBB

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