CNBB

Ministérios repartidos numa Igreja servidora

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

O Papa Francisco, nesta semana que passou, promulgou o Motu Proprio Spiritus Domini, alterou o cân. 230 § 1 que limitava o acesso às mulheres aos ministérios estáveis. Este cânon está situado no Título II, do Livro II, “Do Povo de Deus”, onde se expõem as obrigações e direitos dos fiéis leigos. Tem origem no Motu Proprio Ministeria Quedam, de São Paulo VI, em 15 /08/1972, que abolia as ordens menores e abria, para os fiéis leigos, a possibilidade de exercer os ministérios estáveis do leitorato e acolitato, embora os reservando para os leigos varões por serem exigidos também para os seminaristas candidatos às ordens sacras.

O novo, no documento disciplinar de São Paulo VI, era o reconhecimento dos ministérios laicais e batismais, mas a restrição aos varões ficava injustificada. Por isso, as práticas litúrgicas e comunitárias foram, seja pela via expressa do cân 230 § 2, ministérios temporários para um ato, ou para uma série de atos, já introduzindo as mulheres como leitoras e ajudantes do Altar.

Em vários Sínodos Eclesiais, os Padres sinodais tinham solicitado a alteração do cân. 230 § 1, petição que foi amadurecendo como um dos sinais dos tempos, cabendo ao Papa Francisco, com pleno discernimento, tanto da continuidade do magistério como do sensus fidei, tomar esta decisão. Uma boa notícia para o laicato, por legitimar e valorizar os ministérios batismais e o sacerdócio comum dos fiéis.

Um sinal de inclusão e de abertura para a colaboração das mulheres que nas comunidades eclesiais são uma maioria expressiva. A Igreja manifesta, desta forma, um rosto ministerial participativo e servidor, mais abrangente, e uma comunhão missionária para uma Igreja em saída.

São pequenos passos, mas conseqüentes e decisivos, que vão fazendo acontecer uma renovação eclesial, não só nas estruturas externas, mas em atitudes de inclusão, abertura e proximidade, construindo uma Igreja fraterna e samaritana, mas crível porque transparece, de forma mais explícita, as práticas de Jesus, o Salvador. Nestes tempos, em que pairam recuos e ameaças contra a liberdade e participação das mulheres, e menosprezando seus direitos, é bom saber que a Igreja de Cristo avança no seu reconhecimento e valorização. Deus seja louvado!

 


Fonte: Noticias da CNBB

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