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Vimos sua estrela

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

No último final de semana, primeiro domingo de 2021, celebramos a Solenidade da Epifania do Senhor, festa transferida do dia 6 de janeiro para o domingo. Epifania: manifestação de Deus a humanidade. Deus se revela através do seu Filho a humanidade inteira. Quando os sábios encontram o Menino Jesus deitado na manjedoura e lhe entregam seus presentes, seria como se todos nós entregássemos presentes ao menino Jesus.

Diante da manjedoura e do Menino que acabara de nascer devemos nos curvar e adorá-lo e agradecer a Deus o maior presente que ele nos deu que é Jesus. A festa da Epifania conhecida popularmente como dia de Reis ocorre no dia 6 de Janeiro, mas a Igreja no Brasil celebra essa solenidade no domingo, para que um número maior de fiéis possa participar da celebração e a data não passe desapercebida. Em alguns países esse dia é celebrado tão solenemente como o Natal.

Hoje em dia nós não devemos deixar morrer essa tradição e devemos celebrar vivamente a Festa da Epifania do Senhor. Em alguns países da Europa no dia de Reis é realizada a troca de presentes como fazemos aqui no Brasil no dia 24 de dezembro a noite. Eles fazem isso pois, assim como os reis magos entregaram seus presentes ao Menino Jesus com o ouro, o incenso e a mirra, simbolicamente nós fazemos isso uns com os outros.

Os magos seguiram a estrela que brilhou no céu e chegaram até ao Menino Jesus, façamos nós a mesma coisa, guiemo-nos pela estrela que brilha no céu e que veio para iluminar todos os povos que é Jesus de Nazaré. Ofereçamos ao Senhor nesta Eucaristia os nossos dons e tudo aquilo que temos, ofertemos a ele em especial a nossa vida e a de nossos parentes. Deixemos com que o Senhor se revele a nós a nossos familiares.

Na primeira leitura (Is 60, 1-6), o profeta Isaías está no contexto do povo que voltava do exílio da Babilônia e diz para esse povo criar ânimo e coragem, pois Deus está com eles. O povo que andava na escuridão agora enxerga a luz do Senhor. A glória do Senhor era manifestada sobre eles e todos voltarão felizes trazendo em suas mãos o ouro e o incenso.

Trazendo para a realidade da festa que celebramos, a luz do Senhor também brilhou em meio as trevas e o povo que andava desanimado e sob o jugo do pecado poderá ver a manifestação de Deus em Jesus Cristo. E nós hoje devemos nos alegrar e nos pautarmos por essa luz que vem do Senhor.

O salmo responsorial – 71 (72) –, nos diz em seu refrão: “As nações de Toda terra hão de adorar-vos Ó Senhor”, ou seja, Deus se manifestou a todas as nações, ele não quis revelar o seu filho a apenas uma nação, mas para a terra inteira. Pois todos os povos encontrarão nele a salvação.

Na segunda leitura (Ef 3, 2-3a.5-6), São Paulo diz que Deus quis revelar o mistério do nascimento do seu Filho a todas as gerações, não somente as gerações que passaram, mas também na atual e nas que virão. Deus é o mesmo ontem, hoje e sempre.

O Evangelho (Mt 2, 1-12), São Mateus relata como os sábios que vieram de longe buscaram informações a respeito do nascimento de Jesus a partir do momento em que viram brilhar a estrela no céu. Foram até Jerusalém ter com Herodes e perguntaram se ali que deveria nascer o Rei dos Judeus. Herodes fica nervoso, pois achava que somente ele deveria ser o Rei de Israel e evidentemente não entende que o reinado de Jesus não era de maneira alguma igual o dele.

Herodes se reúne com os sumos sacerdotes e mestres da Lei e começam a pesquisar onde deveria nascer o rei dos Judeus. Eles chegam a conclusão que seria em Belém de Judá. Herodes procura saber dos Magos quando a estrela apareceu e os envia a Belém para que depois eles lhes trouxessem informações a respeito do nascimento do menino. Mas, os sábios foram avisados em sonho para não voltarem a Herodes, pois ele tinha a intenção de matar o menino Jesus.

E depois de adorarem e oferecerem presentes ao menino Jesus, eles voltam por outro caminho guiados pelo anjo. Segundo uma tradição, os três reis magos se chamam Baltazar, Melchior e Gaspar e oferecem ao menino Jesus ouro, incenso e mirra.

O ouro por causa da realeza do Menino Jesus, o incenso devido a sua divindade e a mirra, considerada a sua humanidade, seria o mesmo óleo que Jesus seria ungido após a sua morte.

Então podemos nos perguntar hoje, o que eu ofereço ao Senhor? Que eu trago para dar a Ele? Não é mais ouro, incenso ou mirra, mas deve ser em primeiro lugar a nossa vida. Entregar a ele os nossos talentos e aquilo que devemos sempre ser capazes de fazer e aquilo que ele nos deixou de lição: o amor.  O amor a Deus e ao próximo como complemento desse amor dele por nós.

Nós que participamos neste final de semana da Eucaristia da Epifania do Senhor, dentro ainda das celebrações natalinas, peçamos a Ele que se manifeste a cada um de nós, hoje de uma maneira diferente, agora por meio da Eucaristia.

Que a Virgem Maria nos proteja em nossa caminhada e ela nos ajude a conservarmos e guardar tudo em nosso coração. Amém.

 

 

 

 


Fonte: Noticias da CNBB

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