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Natal: tempo de esperança! Por quê?

Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira
Prelazia de Itacoatiara – Amazonas

  1. Porque o Natal é a festa da encarnação de Deus: “A Palavra se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Deus habitou entre nós, fez-se um de nós, viveu no meio de nós, “teve que ser semelhante em tudo a seus irmãos” (Hb 2, 17). Deus em Cristo tornou-se Emanuel, Deus está conosco (cf. Mt 1, 23). Em Jesus, Deus veio visitar a humanidade. Deus se rebaixa para nos elevar. Deus se humaniza para nos divinizar.
  2. Porque no Natal celebramos a grande prova de amor de Deus por nós. “Nisto se tornou visível o amor de Deus entre nós: Deus enviou o seu Filho único a este mundo, para dar-nos a vida por meio dEle” (1Jo 4, 9). “Ninguém nos pode tirar a dignidade que este amor infinito e inabalável nos confere” (Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium, n. 3).
  1. Porque é tempo de amar, acolhendo o ensinamento de Jesus: “Amem-se uns aos outros” (Jo 13, 34). Amor que não é manifestado em palavras, mas em ações em favor dos irmãos, como nos ensina João: “Filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas com obras e de verdade” (1Jo 3, 18). Sobre a vivência do amor, o Papa Francisco nos ensina: “O objetivo de cada ação nossa somente pode ser o amor… Este amor é partilha, dedicação e serviço” (Mensagem para o IV Dia Mundial dos Pobres, n. 10). Ele nos chama à prática da “caridade política que ajuda a superar a “mentalidade individualista” e que nos leva a amar “o bem comum e a buscar efetivamente o bem de todas as pessoas” (cf. Carta Encíclica Fratelli Tutti, n. 182).
  1. Porque é tempo de solidariedade, como nos ensina Jesus na parábola do bom samaritano (Lc 10, 25-37). “O Samaritano agiu com verdadeira misericórdia e foi capaz de assumir a dor do outro, provendo tudo o que lhe era necessário. Na compaixão não há incertezas, não se titubeia, não existe indiferença, pois trata-se de ter, em nós, os mesmos sentimentos de Cristo {Fl 2, 5] (Texto Base da Campanha da Fraternidade 2020, n. 91). Não podemos falar de solidariedade sem falar em opção pelos pobres. Neste sentido o Papa Francisco nos provoca dizendo: “Para a Igreja, a opção pelos pobres é uma categoria teológica mais que cultural, sociológica, política ou filosófica… Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los… Sem a opção preferencial pelos pobres, o anúncio do Evangelho – e este anúncio é a primeira caridade – corre o risco de não ser compreendido… Ninguém deveria dizer que se mantém longe dos pobres, porque as suas opções de vida implicam prestar mais atenção a outras incumbências… Ninguém pode sentir-se exonerado da preocupação pelos pobres e pela justiça social” (Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium, n. 198, 199 e 201).
  1. Porque é tempo de acreditar que outro mundo é possível: mais humano, mais justo, mais ecológico, mais ecumênico. “O povo que andava nas trevas, viu uma grande luz… Porque nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado… E ele se chama conselheiro maravilhoso, Deus forte… Príncipe da paz” (Is 9, 1.5). Este outro mundo possível, o Papa Francisco chama de “desenvolvimento humano integral”, que supera a ideia de políticas sociais “para os pobres” e se estabelece políticas sociais “com os pobres”, “dos pobres” e a partir dos pobres (cf. Carta Encíclica Fratelli Tutti, n. 169). Para isto o Papa Francisco nos convoca para trabalharmos pela “Política melhor”, aquela que existe a “serviço do verdadeiro bem comum” (cf. Carta Encíclica Fratelli Tutti, n. 154) e pela “política necessária”, aquela que não se submete à economia, que “pense com visão ampla” e pela política salutar, aquela “capaz de reformar as instituições” (cf. Carta Encíclica Fratelli Tutti, n. 177).
  1. Porque é tempo de alegria. “Eu anuncio para vocês a Boa Notícia, que será uma grande alegria para todo o povo: hoje nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor” (Lc 2, 10-11). Acolhamos o convite de Paulo: “Fiquem sempre alegres no Senhor! Repito: fiquem alegres! (Fl 4, 4). O Papa Francisco nos ensina: “Não estou a falar da alegria consumista e individualista muito presente em algumas experiências culturais de hoje. Com efeito, o consumismo somente trava o coração; pode proporcionar prazeres ocasionais e passageiros, mas não alegria. Refiro-me, antes, àquela alegria que se vive na comunhão, que se partilha e comunica, porque ‘há mais felicidade em dar do que em receber {At 20, 35} e ‘Deus ama quem dá com alegria’ {2Cor 9, 7} (Exortação Apostólica Gaudete et Exultate, n. 128).

Portanto, sendo o Natal tempo de esperança, acolhamos o pedido do Papa Francisco: “Não deixemos que nos roubem a Esperança!” (Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium, n. 86).

Abençoado NATAL de CRISTO e FELIZ ano de 2021, repleto das graças e bênçãos de nosso Deus Trindade!


Fonte: Noticias da CNBB

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