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Buscar o rosto do Menino Jesus

Dom Adelar Baruffi
Bispo Diocesano de Cruz Alta (RS)

O que é o Natal senão ir ao encontro do rosto do Menino Jesus, que tomou a iniciativa de vir até nós e se fazer conhecer? Quando queremos reconstruir a esperança, após este tempo de provação na pandemia, precisamos encontrar um fundamento seguro, inabalável. Seja qual for a circunstância, a estrela que brilha em Belém anuncia um novo tempo, uma nova caminhada, sempre renovada: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; e aos que estavam detidos na região e sombra da morte, a luz raiou” (Mt 4,16). Natal é fonte de esperança sempre renovada. A esperança vem dele, de Cristo que se faz um de nós para que possamos ser uma família com Ele. Ele é o sentido de nossa vida, de nosso existir. As interrogações deste tempo são normais, são bem humanas, mas o Natal nos renova sempre.

Nosso olhar volta-se para Deus e vê um menino, deitado numa manjedoura. Pobre e muito humilde. Nele vemos quem é Deus. Contemplamos seu amor incondicional por toda a humanidade. Sua ternura, por fazer-se pequeno, um de nós. Foi por mim, por cada um de nós, que Ele veio até nós. No Natal, não vemos um chefe poderoso, mas um humilde menino, necessitado dos cuidados de Maria e de José.

A sabedoria de Deus nos encanta. Precisamos contemplar o amor de Deus, para nos sentirmos amados também. Quem sabe, neste ano cheio de tantas provações, nos acostumamos a somente oferecer amor. E nós precisamos do seu amor! Somente sabe o que é amar, quem já experimentou o que é o amor. Nele nos reconhecemos, em nossa humildade. Não temos todos os poderes que imaginamos. No rosto de Cristo, confirmamos que somos puro dom de Deus, sem nenhum merecimento nosso. O fato de existirmos parte dele, unicamente. Nele, também, nos vemos renovados para amarmos. Quando contemplamos o rosto de Deus, tão pequeno e humilde, nos esvaziamos de nossas pretensões de grandeza.

No rosto de Cristo nos sentimos uma única família. Todos nascemos assim! Haveria alguém mais importante, mas merecedor? Não, todos somos igualmente dignos e amados. Então, nos perguntamos, com dor e compulsão, o que fizemos de nossa família? Porque não nos amamos mesmo? Porque nos dividimos, se em Cristo somos um só? No rosto do Menino, vemos, já no seu nascimento, o esquecimento e a exclusão daqueles que não foram e, hoje, não são acolhidos. Seu rosto traz o sofrimento das crianças que hoje não são amadas e são excluídas. Esta recusa se tornará mais clara e profunda no momento de sua morte na cruz. O caminho cristão é sempre a fidelidade ao Pai, como foi o de Jesus.

Olhemos o rosto do Menino, para ver a alegria do universo inteiro. Natal é cheio de alegria. E o motivo é único: nosso Salvador veio até nós, gratuitamente. Nossos encontros e presentes são belos, são um sinal visível da alegria espiritual. Se não for assim, será unicamente uma ceia burguesa e, logo, as pessoas voltam à vida normal. Nosso mundo secularizado tantas vezes não lembra desta alegria, que recebemos um dia, no nosso batismo, e somos chamados a viver sempre.

Lembremos, porém, que o Natal é a expressão do grandioso amor de Deus, que nos amou e veio até nós. A iniciativa é dele. Ele nos buscou, qual pastor que veio ao encontro de suas ovelhas (cf. Jo 10). A contemplação do rosto de Jesus nos faz dizer: muito obrigado!

A todos vocês, filhas e filhos amados de Deus, Feliz e Santo Natal de nosso Senhor!


Fonte: Noticias da CNBB

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