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Direitos Humanos Importam

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

 

O advento é o tempo da imaginação profética de deletrear a palavra pessoa humana, na sua dignidade de valor e consistência. O Natal, sendo o nascimento do menino Deus, nos irmana e nos iguala. Ilumina a longa marcha que tem como grandioso marco a Declaração Universal dos Direitos Humanos que celebramos no 10 de dezembro.

Sim, estes direitos são naturais e intrínsecos a toda pessoa humana, indivisíveis, imprescritíveis e inalienáveis. Ninguém pode nos tirar ou ridicularizá-los porque estaria profanando algo de inestimável e precioso para autoconsciência da humanidade. Não interessam só aos ativistas ou especialistas em Direito Internacional, mas ao povo simples e gente de carne e osso, pele e pescoço. Porque eles têm a ver com a fome, o trabalho, a saúde integral, o direito a ter acesso a um leito no hospital, à educação formal e digital.

O arrogante e o autoritário os desprezam, porque desejariam ter, sempre diante deles, subservientes, capachos, e alienados, como se referia Bertold Brecht em relação ao analfabeto político: “ele estufa seu peito dizendo, eu não gosto de política; mal sabe ele que é na política que se decide o preço do feijão, a falta de moradia, a saúde em colapso, a filha que se torna garota de programa e o filho viciado”.

Direitos humanos são tão necessários como o pão farto ou a água refrescante, porque eles defendem a vida, a vida digna para todos/as. Por não levá-los a sério, continuamos vendo o espetáculo deprimente da compra de votos, da política como balcão de negócios e da corrupção aliada a desigualdade mais escancarada.

É verdade que não basta declará-los, ou escrevê-los em belos discursos, mas concretizá-los em programas e projetos que os tornem carne e incluam o povo inteiro. Sou cristão e para mim a justiça é uma dimensão constitutiva do Evangelho, sou humano, nada que afete a humanidade me é alheio ou indiferente. Qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa de qualquer cor, credo, etnia, sexo, cultura, me diz respeito e a sinto como própria, porque como afirma o Papa Francisco: “todos somos irmãos”. Deus seja louvado.

 

 


Fonte: Noticias da CNBB

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