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“Direitos Humanos são resultado de entendimento comum sobre a necessidade de se proteger o vulnerável”, afirma dom João Justino

No dia 10 de dezembro de 1948, a Organização das Nações Unidas (ONU) – na ocasião composta por 58 Estados-membros, entre eles o Brasil – instituiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O documento define os direitos básicos do ser humano. Em seus trinta artigos, estão listados os direitos básicos para a promoção de uma vida digna para todos os habitantes do mundo independentemente de nacionalidade, cor, sexo e orientação sexual, política e religiosa.

A declaração é um marco normativo que serve de pressuposto para as condutas de estatais e dos cidadãos. Os princípios nela contidos têm a função de inspirar e balizar o comportamento dos indivíduos.

Neste dia em que se celebra os 72 anos da declaração, o Papa Francisco afirmou em seu Twitter que “cada um é chamado a contribuir com coragem e determinação ao respeito dos Direitos Humanos fundamentais de cada pessoa, especialmente daquelas “invisíveis”: de quem tem fome e sede, quem está nu, doente, estrangeiro ou detido”.

Dom João Justino Medeiros, arcebispo de Montes Claros (MG), disse em seu artigo intitulado “A evangelização e os direitos humanos” ser preciso reconhecer que cada pessoa deve ser plenamente respeitada, sendo esse um direito natural:

“A Doutrina Social da Igreja ensina que “o movimento rumo à identificação e à proclamação dos direitos humanos é um dos mais relevantes esforços para responder de modo eficaz às exigências imprescindíveis da dignidade humana” (Compêndio de Doutrina Social, 152). Os Direitos Humanos são o resultado de um entendimento comum sobre a necessidade de se proteger o ser humano vulnerável.  Precisam ser defendidos e aplicados integralmente, pois são expressão da universalidade, da inalienabilidade e da inviolabilidade do valor do ser humano”.

Para o arcebispo permanece como desafio para os dias de hoje consolidar a defesa dos Direitos Humanos nas diversas realidades. Ainda de acordo com ele, é dever das nações tê-los como um mecanismo de proteção das ações coletivas de resolução dos conflitos que favorecem a dignidade e a respeitabilidade da pessoa humana. “As instituições sociais, os centros de Ensino e Pesquisa, as nações e a comunidade internacional precisam encontrar formas para efetivar o que determina a Declaração Universal dos Direitos Humanos, considerada por São João Paulo II como uma das mais altas expressões da consciência humana do nosso tempo”, diz.

O papel da Igreja

Segundo dom João Justino, perita em humanidade, a Igreja apresenta diversos caminhos de afirmação integral da dignidade da pessoa humana, da prática da justiça, do cuidado do bem comum e do desenvolvimento integral de cada pessoa e da paz. “Algumas pastorais da Igreja e associações, inspiradas nos valores do Evangelho, se dedicam com afinco à defesa e à promoção dos direitos humanos”, disse.

“Por vezes surgem rumores críticos em relação ao empenho desses cristãos em favor dos marginalizados. Todavia, nada mais relevante para a compreensão da realidade dos que têm sua humanidade desfigurada do que deles se aproximar. É o que faz a Igreja Católica, por meio dos membros de pastorais e de grupos eclesiais”, finaliza.

 

 

 


Fonte: Noticias da CNBB

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