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Vem, Senhor Jesus!

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

 

A partir da Sagrada Escritura, os santos padres, os primeiros escritores cristãos colocaram a importância da vinda de Deus, como sendo a vida nova que veio do alto para o ser humano e era uma prece ao Senhor, para que redimisse a realidade humana, criada por Ele. Mas este é o desejo de todas as pessoas para que venha o Messias em nossos corações, famílias, comunidades, sociedade. Veremos a seguir pontos desta vinda a partir de alguns padres da Igreja.

São Gregório de Nissa, bispo na Ásia Menor, do século IV, afirmou a alegria de subir a montanha assim como fez Moisés. A nossa vida é uma subida à escada daquilo que é e será bonito por natureza. O ardente desejo de ver o Senhor pelo Natal é próprio da vida humana na qual nunca deixa o desejo de vê-lo[1].

São João Crisóstomo, Bispo de Constantinopla, dos séculos IV e V, afirmou a expectativa pela vinda do Senhor nas quais as pessoas são convidadas a desprender-se das realidades visíveis para desejar aos bens futuros. É claro que deverá trabalhar as coisas presentes em vista das eternas. Como não se sabe o dia e nem a hora, São João falou da necessidade de viver na terra o mesmo modo de viver do céu. Para isso é preciso fazer da terra um céu, fazendo da vida um caminho de paz e de amor, vivendo um pouco, aqui, como se já estivéssemos nas realidades divinas[2].

Em suas homilias, Pseudo Macário, padre do deserto, final do século IV, afirmou que nós somos prisioneiros do desejo do Senhor. Se as pessoas são tomadas por desejos de glória do rei humano, muito mais deve estar presente nas pessoas que esperam o Senhor pela sua vinda, para a unidade do rei celeste, de unidade da beleza, da glória inefável, da magnificência incorruptível do verdadeiro e eterno Rei, o Cristo que se tornou pessoa humana igual a nós, em tudo, menos o pecado[3].

Santo Agostinho, bispo de Hipona, dos séculos IV e V, tinha presente que nós somos caminhantes neste mundo. O coração humano deseja a glória inefável. O desejo é o mais intimo refúgio do coração. Para acender em nós o desejo da realidade que Cristo quer nos dar, por ocasião de sua vinda, cooperam a Escritura divina, a assembléia litúrgica, as celebrações dos sacramentos, o batismo, o canto dos louvores de Deus, a nossa pregação, e o desejo de ver a Deus, no seu Filho Jesus Cristo. Somos caminhantes, porque esta vida é apenas uma pousada. Se no mundo crescem as tentações, mais poderoso é Aquele que criou o mundo e que virá em nossa realidade[4]. Como o cervo anseia às fontes das águas, assim também a nossa alma anseia pelo Senhor, nosso Deus (cfr. Sl 41). Aqui entra a importância de a Igreja fazer a preparação para a vinda do Senhor em nossas vidas e que é preciso aguardar com fé e amor a vinda do Senhor[5].

Teodoro de Mopsuéstia, Bispo da Síria, século V, afirmou a prece que a pessoa humana faz no Pai nosso que se refere ao nome de Deus para que seja santificado e venha o seu Reino. Para isso há a necessidade de comportar-se conforme a palavra de dignos filhos de Deus para esta vinda. Se de fato nós nos comportarmos bem, confirmaremos que somos filhos de Deus e que somos dignos da liberdade do Pai nosso. Nós também pedimos na prece do Pai nosso que venha o seu reino, de modo que Ele se faz presente em Jesus Cristo e na vida que levamos no amor, para um dia habitar para sempre no seu Reino[6].

Os padres da Igreja colocaram a importância do desejo humano pela vinda do Senhor neste tempo do advento, tempo novo, de graça e de responsabilidade humana. Se é preciso a preparação externa, é também importante a interna, do coração para que o Senhor nasça em nossas vidas, pensamentos e boas obras.

[1] Cfr. Gregorio di Nissa, La vita de Mosè, 2,227.231-233. In: Nuove Letture dei giorni, testi dei padri d´oriente e d´occidente per tutti i tempi liturgici. Scelta a cura dei fratelli e delle sorelle della Comunità di Bose. Edizioni QIQAJON, Comunità di Bose. 2012, Magnano (BI), pgs. 23-24.

[2] Cfr. Giovanni Crisostomo, Omelie sul Vangelo di Matte 19,4-5. In: Nuove Letture dei giorni, testi dei padri d´oriente e d´occidente per tutti i tempi liturgici, In: Idem, pg. 24-25.

[3] Cfr. Pseudo-Macario, Omelie 5,6-7. In: Idem, pgs. 25-26.

[4] Cfr. Agostino di Ippona, Commento al Vangelo di Giovanni 40,10. In: Idem, pgs. 27-28.

[5] Cfr. Agostino di Ippona, Esposizioni sui salmi 41,1.4-5. In: Idem, pgs. 28-29.

[6] Cfr. Teodoro di Mopsuestia, Omelie catechetiche 11, 10-11. In: Idem, pgs. 29-30.


Fonte: Noticias da CNBB

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