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Dia Nacional da Consciência Negra: as cores da desigualdade na luta por dignidade

O Brasil ainda está muito longe de se tornar uma democracia racial assim mostra as estatísticas de cor ou raça produzidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostram que 54% da população brasileira é formada por negros e negras.

O dia 20 de novembro, escolhido para celebrar o Dia da Ceonsciência, se refere à morte de Zumbi dos Palmares, o último líder do maior dos quilombos do período colonial, o Quilombo dos Palmares. A data comemorada há mais de 30 anos por ativistas do movimento negro só foi oficializada em lei em 2011.

A data não só celebra a presença dos afro-brasileiros, mas “assume também o caráter de compromisso e responsabilidade na luta pela inserção cidadã dos negros e negras que vivem à margem da sociedade, em situações de miséria e exclusão social”, destaca a nota da CNBB dia da Consciência Negra de 2009.

Para celebrar a data, o bispo de Maringá(PR), Dom Severino Clasen, gravou um vídeo falando sobre a importância de olhar para a questão racial no país.

“É preciso olhar para a vida de tantas pessoas que foram escravizadas, que foram arrancadas das suas terras, da sua cultura, da sua nação, de suas famílias, da sua religião e aqui vieram sem recebem troco nenhum para servir aos senhores. Hoje ainda estamos
Devendo de apurar, de crescer nesta consciência da dignidade da valorização de todas da raças, de todas culturas é ali que o evangelho entra”, disse.

O bispo de Brejo (MA) e presidente da Comissão para a Ação Sociotransformadora da CNBB, Dom José Valdeci, disse em seu artigo ‘negros e negras na luta por dignidade’ que é preciso continuar lutando contra o preconceito, o racismo e todo tipo de opressão e ameaças a vida e dignidade da pessoa humana, sobretudo aqueles vivem à margem da sociedade.

Celebração numa comunidade quilombola em Brejo comunidade São Raimundo

“Somos chamados e chamadas a ouvir a voz de Deus que diz “Eu vi a miséria do meu povo… ouvi o seu grito por causa dos opressores, por isso desci para libertá-lo” (Ex 3, 7-8). Nossa atitude deve ser como a de Moisés: ouvir a voz de Deus e assumir a sua causa junto ao seu povo. Como povo negro, somos a maioria neste país e precisamos ocupar nossos espaços em todas as instâncias de decisões. Não queremos pedir, nem exigir, queremos decidir juntos e juntas o rumo da nossa nação”, destaca o artigo.

Dom José Valdeci aponta ainda no texto que “a nossa luta é para que esta sociedade seja de iguais, por isso, precisamos como negros e negras estimular nossa criatividade, assumir nosso compromisso alicerçados na memória de nossos ancestrais para construir uma sociedade nova. Diz o refrão de um canto afro: “ vamos construir a história do sonho do nosso povo, com as forças dos ancestrais, rumo ao mundo novo. Santos e santas do povo, rogai por nós! ”. Precisamos fazer memória para construirmos novas histórias”.

A realidade da desigualdade racial e social no Brasil está cada vez mais visibilizada na sociedade. Dados da PNAD Contínua 2019, divulgado no último dia 12 de novembro, pelo IBGE, mostra que pretos ou pardos tem maiores taxas de desocupação e informalidade do que brancos, estão mais presentes nas faixas de pobreza e extrema pobreza e moram com maior frequência em domicílios com algum tipo de inadequação.

Mobilização

Na próxima segunda-feira, 23 de novembro, ás 18h, em reunião virtual, o Observatório Racial Dom José Maria Pires, da Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), recebe o bispo de Pemba, em Moçambique, dom Luiz Fernando Lisboa é o diplomata aposentado Milton Rondó.

De acordo com o observatório, O bispo de Pemba tem sido uma voz consistente chamando a atenção para o agravamento da situação humanitária na conturbada Província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lançou no dia 12 de novembro, o Observatório de temas raciais Dom José Maria Pires. A nova instância deve assessorar a CBJP no encaminhamento das matérias relacionadas aos temas de enfrentamento ao racismo, a promoção da igualdade racial e ações afirmativas.

O grupo, formado por membros da Igreja Católica e de outras denominações religiosas, também deve elaborar e compartilhar análises, trabalhos escritos e pareceres; promover pesquisas e eventos que estimulem o estudo, a discussão e a defesa de temas afetos à sua área de atuação; realizar iniciativas orientadas pelos princípios de defesa e aprofundamento da democracia, combate às desigualdades, discriminações e exclusões, com a promoção da justiça e da paz; além de apoiar as ações e iniciativas da Pastoral Afro-brasileira, fortalecendo sua ação evangélica e social. O Observatório ainda deve assessorar a CBJP nos espaços de articulação nos temas concernentes à promoção da igualdade racial e ações afirmativas no âmbito da Igreja e da Sociedade.

Acesso a reunião:

Plataforma Zoom (ID da reunião: 816 635 5682 – Senha de acesso: 160475)


Fonte: Noticias da CNBB

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