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Manifestação da CNBB sobre processo da Vale é apelo por transparência, afirma dom Vicente Ferreira

A manifestação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre o acordo que pode ser firmado entre o Estado de Minas Gerais e a mineradora Vale, responsável pelo crime socioambiental de Brumadinho, pode ser entendida como “um apelo para que os órgãos do Estado tenham transparência em qualquer tipo de negociação e que garantam a justiça junto às pessoas atingidas e ao meio ambiente”. O comentário é do bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e membro da Comissão Episcopal Especial para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB, dom Vicente de Paula Ferreira.

A Comissão, junto com o Grupo de Trabalho de Ecologia Integral e Mineração do Regional Leste 2 da CNBB, a Rede Igrejas de Mineração e a Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário da arquidiocese de Belo Horizonte (MG), protocolou, na sexta-feira (13), na 2ª Vara da Fazenda Pblica Estadual da Comarca de Belo Horizonte, um documento questionando o acordo anunciado na parceria entre a Vale e o Governo de Minas, no caso do crime da Vale em Brumadinho. De acordo com dom Vicente, as questões apontadas foram baseadas na minuta do acordo e na forma como o processo está sendo encaminhado.

Saiba mais:

https://www.cnbb.org.br/comissao-ecologia-integral-questiona-acordo-sobre-brumadinho/

O acordo entre a Vale e o Governo de Minas, que também tem a participação do Ministério Público/MG, da Defensoria Pública do Estado e a Defensoria Pública da União (DPE/DPU), ocorre em sigilo de justiça e em reuniões sem a participação da população atingida. Nesta terça-feira, 17 de novembro, houve nova audiência com as partes visando acertar os termos do acordo. Na ocasião, as entidades jurídicas e os representantes do Estado de Minas Gerais apresentaram uma contra proposta que deverá ser analisada pela mineradora, à qual foi concedido prazo de algumas semanas. De acordo com o TJMG, as partes voltam a se reunir em nova audiência dia 9 de dezembro.

Sobre a reunião de ontem, dom Vicente recorda que o grupo havia pedido seu cancelamento, mas o encontro ocorreu. “Mesmo com a complexidade das questões apontadas pelo acordo e também a profusão dos direitos, as pessoas e comunidades atingidas pelo rompimento da barragem em Brumadinho reclamam a participação no processo”, reitera o bispo.

 

Foto de capa: Robert Leal/TGMG


Fonte: Noticias da CNBB

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