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Estende a tua mão com compaixão

Dom José Gislon
Bispo Diocesano de Caxias do Sul (RS)

Neste final de semana celebramos na liturgia o XXXIII Domingo do Tempo Comum, é a celebração do dia do Senhor, mas marcada por um forte apelo à solidariedade, à caridade e à dignidade de vida dos mais necessitados. Como Igreja, comunidade de fé, celebramos em todo o mundo o IV Dia Mundial Dos Pobres.

A mensagem do nosso Papa Francisco para o IV Dia Mundial dos Pobres apresenta uma bonita reflexão, a partir da frase Bíblica do Livro de Sirácide: “Estende a tua mão ao pobre” (Sir 7,32). Estas palavras escritas há tanto tempo, e que fazem parte do Antigo Testamento, continuam tendo um significado profundo também em nossos dias e na realidade social em que vivemos. Elas nos falam do amor compaixão, para com os pobres e empobrecidos por tantas situações que atingem a humanidade, e muitas vezes lhes roubam o direito de viver a vida, dom de Deus, com dignidade.

Diante de Deus e da necessidade dos pobres, nós não podemos cruzar os braços, fecharmos os olhos do coração e optarmos pela indiferença, achando que agindo assim vamos ter paz de espírito e acomodar a voz da consciência, que nos pede para termos compaixão diante do clamor dos necessitados. No mundo, e nas mais variadas realidades sociais, a pobreza assume sempre rostos diferentes, que exigem uma atenção particular para cada condição que encontramos. Tendo presente que em cada uma delas, podemos ter a oportunidade de encontrar o Senhor Jesus, que revelou estar presente nos seus irmãos mais frágeis (cf. Mt 25, 40).

Nas ruas de nossas cidades, encontramos diariamente mãos estendidas de idosos, pais, mães e jovens que pedem solidariedade ou procuram as instituições de ajuda e caridade, manifestando o drama da vida diante das necessidades mais básicas da sobrevivência. Para muitas pessoas, acostumadas a ganhar o pão com o fruto do próprio trabalho, o fato de estar desempregado e ter que recorrer à caridade dos irmãos e irmãs, para suprir as próprias necessidades e as de sua família, muitas vezes é constrangedor. Por isso, jamais devemos ter atitudes que humilhem o necessitado que estende a mão em nossa direção, pedindo ajuda. Mesmo nas mais duras dificuldades e fragilidades que a vida nos apresenta, “é preciso reconhecer que toda pessoa, mesmo a mais indigente e desprezada, traz gravada em si mesma a imagem de Deus”.

Quando nos colocamos em oração e elevamos a Deus as nossas preces, tenhamos presente que ele é Pai providente e misericordioso, para nós, mas também para o pobre, faminto e necessitado, que vemos estendendo a mão e implorando pela nossa caridade fraterna. E cada um de nós pode ser o instrumento que o Senhor colocou no caminho daquele pobre, para manifestar o seu amor, a sua ternura e compaixão de Pai. Que as mãos estendidas que doam, e as que recebem, ajudem a nossa sociedade a despertar o bom samaritano adormecido que existe em cada um de nós.


Fonte: Noticias da CNBB

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