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Droga que mata

Dom Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Salvador (BA)

Durante a pandemia, tem sido verificado um crescimento preocupante no consumo de bebidas alcoólicas. A quarentena pode ser um desafio, de modo especial, para quem luta contra o alcoolismo. O abuso de bebida alcoólica, especialmente, a situação dos dependentes de álcool tem sido motivo de piadas em programas humorísticos e em rodas de amigos. Contudo, o alcoolismo necessita ser tratado com a merecida seriedade, pois o álcool está incluído na relação de drogas que causam dependência e, em muitos casos, a morte. O álcool pode se tornar uma droga que mata! O alcoolismo é doença que atinge grande parcela da população brasileira, devendo ser tratado como um problema de saúde pública. As suas tristes consequências são bastante conhecidas: graves danos à saúde, acidentes de trânsito, acidentes de trabalho, violência doméstica, brigas e homicídios.

O atual estilo de vida tem favorecido a iniciação sempre mais precoce no uso de bebidas alcoólicas, fazendo dos jovens as grandes vítimas do alcoolismo, muitas vezes, associado ao uso de outras drogas. O alcoolismo tem causado muito sofrimento para os que são dependentes de álcool e para os seus familiares, sendo motivo de lágrimas para muitas mães, esposas e filhos. Infelizmente, a compreensão que se tem do problema não ajuda na recuperação das pessoas. É preciso superar a visão que reduz o alcoolismo a uma fraqueza moral, para considerá-lo enfermidade que exige tratamento sério e continuado.

 A relutância em admitir a situação, em pedir ou aceitar ajuda, dificulta muito a superação do problema. A ajuda fraterna de familiares e de amigos é fundamental na recuperação dos dependentes de álcool. Hoje, cada vez mais, surgem tratamentos que possibilitam a desintoxicação e o controle do alcoolismo, levando as pessoas a uma vida saudável. Conforme a situação, podem ser indicados medicamentos, terapias individuais, de grupo ou familiar, internação em clínicas e centros especializados, aconselhamento psicológico e espiritual. Muitas instituições têm prestado precioso serviço na recuperação de inúmeras pessoas.

 No campo religioso, são muitas as iniciativas em andamento, como a Pastoral da Sobriedade. É preciso valorizar, divulgar e apoiar os esforços em favor da superação do alcoolismo chamando a atenção para a responsabilidade social na solução deste problema, pois resta muito a fazer. Há necessidade de medidas preventivas, de cunho educativo e social; de controle rigoroso da venda de bebidas alcoólicas para menores; de aplicação da lei coibindo o uso de álcool pelos motoristas; de eliminar bebidas alcoólicas da propaganda. Além disso, a vivência religiosa e o cultivo dos valores éticos muito podem contribuir para vencer a dependência de álcool e trazer uma nova vida, inspirada na fé em Cristo.


Fonte: Noticias da CNBB

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