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Áreas Missionárias (parte II)

Dom Antonio de Assis Ribeiro
Bispo auxiliar de Belém do Pará

 

ÁREAS MISSIONÁRIAS: vantagens, recursos humanos e atitudes fundamentais (parte II) 

Introdução

Esta é a última semana do mês missionário, mas a missionariedade é permanente e por isso, sigamos aprofundando o tema das áreas missionárias. Na reflexão anterior abordamos o conceito de “Área missionária” e apresentamos algumas justificativas da criação dessa estrutura de animação pastoral.

Todavia, considerando a seriedade da evangelização é necessário refletirmos sobre outras importantes questões como suas vantagens, recursos humanos, atitudes pastorais, orientações administrativas.

Para que essa estratégia de gestão do avanço missionário possa ser eficiente, duradoura e consistente, sem ser fogo de palha – bonito, grande e com vida curta, é necessário que haja clareza nas orientações por parte de cada Diocese. Na Arquidiocese de Belém temos seguido um roteiro de orientações que muito tem contribuído para que todas as experiências vivenciadas nas novas áreas missionárias tenham um norte e se firmado. Contudo, uma coisa é certa: é preciso muita paciência, firmeza e visão de futuro para quem é chamado a liderar esses processos.

  1. As vantagens da criação das áreas missionárias
  • Alivia o “peso pastoral” das Paróquias por causa do desmembramento de comunidades e a diminuição do território a ser percorrido, visitado, evangelizado;
  • Estimula um processo de organização e fortalecimento das comunidades já existentes;
  • Propicia a fundação de novas comunidades evidenciando a presença capilar da Igreja naquele território (lamentavelmente muitos fieis abandonam a Igreja quando não encontram comunidades católicas por perto e, assim, são aliciados e vão se envolvendo com outros credos);
  • Possibilita a presença mais constante dos sacerdotes e de outros ministros nas comunidades;
  • Estimula e amplia a corresponsabilidade missionária das paróquias envolvidas;
  • Oportuniza a acolhida de novos católicos, estimulando-lhes formas de engajamento, novas lideranças, pastorais, grupos, movimentos e serviços;
  • Sustenta, acelera, fortalece e anima o crescimento da Igreja Católica;
  • Ameniza os problemas sociais do território através da ação das pastorais atendendo crianças, adolescentes, jovens, doentes, migrantes, mulheres e idosos (a Igreja Católica não tem somente “casa de oração”, mas sobretudo comunidades vivas e sensíveis aos problemas sociais e zelam pela dimensão social da fé e da caridade);
  • Desperta e alimenta a missionariedade da (Arqui)diocese estimulando a solidariedade das paróquias, sacerdotes, diáconos, religiosos, seminaristas, consagrados, leigos em geral (nem sempre acontece, mas é uma oportunidade rica de vivencias e testemunho comunitário).

  1. Com quais recursos humanos contamos?

A implantação de uma área missionária exige o envolvimento do maior número e dos mais diversos sujeitos eclesiais. Trata-se da organização da presença católica de forma conjunta e em comunhão, sincronizada e harmoniosa, constante e com ação progressiva. Os sujeitos envolvidos nessa tarefa muito dependem do dinamismo pastoral das paróquias que estão sendo atingidas pelo processo de desmembramento.

Todas as forças vivas das paróquias envolvidas deveriam dar a própria contribuição. A área missionária, enquanto nova rede de comunidades a ser desmembradas das paróquias de origem, deve ser sinal de alegria para a paróquia. É sinal de que a evangelização foi eficaz e amadureceu. Trata-se, portanto, de uma filha a ser cuidada pelas lideranças de todas as comunidades, grupos, movimentos, pastorais e serviços. A gestação de uma nova paróquia deve ser motivo de grande alegria.

Por outro lado, estão diretamente envolvidos o vigário da região episcopal, os párocos, vigários, diáconos, seminaristas, religiosos e consagrados presentes no território da nova área missionária. Muitas vezes, parte da força propulsora da evangelização vem de fora, todavia, é importante que em cada nova área missionária, desde o início, se faça sério investimento na formação dos leigos do próprio contexto, para a promoção da corresponsabilidade, do sentido de pertença e senso de comunhão entre as comunidades.

É bom que se ressalte a contribuição de paróquias parceiras que adotam comunidades na nova área missionária. Esse sinal de solidariedade missionária é muito bonito. Isso faz um grande bem para uma paróquia, sobretudo, quando esta se situa no centro urbano. Quando uma paróquia abraça o desafio missionário, elimina o perigo de ser refém da “pastoral de manutenção”.

  1. Atitudes fundamentais

Nas áreas missionárias tudo está ainda se iniciando, por isso, naturalmente, há uma série de questões que devem ser levadas em conta e atitudes concretas a serem cultivadas por parte dos evangelizadores.

Em geral, nessas áreas, as relações sociais são superficiais e fragmentadas por causa do processo de formação do bairro (muitas vezes são áreas de ocupação, ou quando não, são  condomínios onde impera o individualismo). Nas áreas de ocupação há a incerteza da permanência, a instabilidade, aventura imobiliária; há fragilidade dos vínculos afetivos entre os moradores porque se juntaram vindo de lugares diferentes; há pouca história de vida religiosa e superficial conhecimento da Igreja e por outro lado, há um forte assédio neopentecostal; é dolorosa a dureza da pobreza, forte o desemprego, dura a luta pela sobrevivência… Para quem vive nessa situação, a prioridade é a sobrevivência; a busca pela comida material. Por isso muitos são enganados na dimensão religiosa.

É dentro desse sofrido contexto humano que começa o árduo serviço de evangelização. Por isso é preciso que os evangelizadores assumam, antes de tudo, uma atitude de empatia e compaixão como aquela de Jesus vendo o povo faminto e desorientado no deserto. Por outro lado, Jesus também ensinou seus discípulos a terem espírito de iniciativa pastoral, a serem otimistas, a promoverem a corresponsabilidade e o envolvimento das pessoas na mudança da realidade (cf. Mc 6,34-44).

A sensibilidade humana, a cordialidade, a proximidade, o desapego de esquemas rígidos, a simplicidade na relação com o povo, simpatia são atitudes básicas para se conquistar as pessoas. Sem afeto não se evangeliza porque a evangelização passa pelo coração! Quem anuncia a Salvação não deve ser seco!

Graves pecados que muito atrapalham o serviço de um evangelizador nesses ambientes, é a insensibilidade, a frieza, o distanciamento, a arrogância, a mania de ficar comparando o povo com outros; a imposição de esquemas fora da realidade e não respeitar processos.

Jesus nos ensina a pedagogia do amor. Ele, galileu com os galileus, desceu ao mundo dos pobres do seu povo e se identificou com eles. Todavia não os canonizou gratuitamente, tampouco os oprimiu com métodos agressivos, pelo contrário, com ternura e firmeza os chamou à conversão.

PARA A REFLEXÃO PESSOAL:

  1. Quais das vantagens das áreas missionárias apresentadas, mais lhe chamou a atenção?
  2. Por que é importante um tratamento diferenciado com o povo das áreas missionárias?
  3. Quais das atitudes pastorais mais lhe chamou a atenção?

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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