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Amar é…

Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo

 

Amar… “Toda a Lei e os profetas dependem destes dois mandamentos” é a afirmação de Jesus diante da pergunta: “Mestre, qual é o maior mandamento?” (Mateus 22,34-40). Quem faz a pergunta a Jesus, o faz com a intenção de “experimentá-lo”, já que não tinham mais argumentos para desacreditar os ensinamentos do Mestre. Desde o começo das pregações de Jesus as multidões ficavam admiradas com os seus ensinamentos, além de reconhecerem que ensinava com autoridade e não como aqueles que se apresentavam como seus mestres.

Mesmo que a intenção dos adversários de Jesus seja de “experimentá-lo” a pergunta não pode ser desprezada. Os cristãos têm diante de si a Sagrada Escritura que tem mais de1.500 páginas e é justo perguntar o que é essencial, o que une todos os ensinamentos e mandamentos. Levando a mesma pergunta para a legislação civil, composta de milhares de leis, decretos, surge a mesma pergunta: o que é essencial nelas? o que os unifica?

Jesus respondeu que tudo depende do amor a Deus e do amor ao próximo. Ressalta o primado do amor. Um tema que se abre a infinitas possibilidades e ao mesmo tempo é vivido em situações extremamente pontuais e singelas. O valor e a beleza do amor são celebrados, cantados e refletidos em todos os povos e em todas as línguas. Mauro Orsatti, no comentário da liturgia dominical “Obedientes à Palavra”, seleciona e relaciona uma série de reflexões sobre o amor, de diferentes autores:

“Pensar é belo, rezar é melhor, amar é tudo” (E. Leseur). “O amor não é fazer coisas extraordinárias ou heroicas, mas fazer coisas ordinárias com ternura” (J. Vanier). “O amor verdadeiro começa quando não se espera nada em troca” (Antoine Saint-Exupéry). “Amar é fazer surgir no outro uma nova vida. É recriar” (Micheil Quoist). “O amor não nega a realidade, a transfigura” (P. Mazolari). “O verdadeiro amor abre os braços e fecha os olhos” (São Vicente de Paulo). “Onde não encontras amor, coloque amor e encontrarás amor” (São João da Cruz). “É amando os homens que se aprende a amar a Deus” (Charles de Foucauld). “O amor é a asa que Deus deu à alma para subir até ele” (Michelangelo). “O amor sempre tem necessidade de um pouco de futuro” (Albert Camus). “O amor que se analisa já está morto” (E. Ibsen). “Um verdadeiro amor não tem necessidade de muitas palavras” (W. Shakespeare). “O começo do amor a Deus está na escuta da sua palavra. O início do amor ao próximo está no aprender a escutá-lo” (Dietrich Bonhoeffer). “Não importe saber se Deus existe, importa saber se é amor” (Soren Kierkegaard). “Aprendemos a voar como as aves, a nadar como os peixes, porém desaprendemos uma arte simples que é aquela de viver como irmãos” (Martin Luther King). “O amor é uma escada pela qual os deuses descem a nós, e nós iniciamos subida a eles” (provérbio chinês).

Jesus, quando resume a riqueza das orientações normativas em dois mandamentos, não está apresentando dois novos mandamentos. O amor não é uma simplificação dos muitos mandamentos e preceitos existentes, mas o fundamento de todas as leis. Não é uma nova escala de valores, mas a essência de toda a experiência religiosa e ética, é a impostação de toda a existência humana. Dizendo que é preciso “amar de todo coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento” indica que amar envolve todo ser humano.

O que sustenta o ser e o agir do cristão é amar a Deus e ao próximo, não como uma obediência a uma série de deveres e obrigações que vem de fora, mas como expressão de uma escolha interior que envolve o ser humano e o ser cristão inteiramente.

 

 

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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