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Dar a Deus o que é de Deus

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo de Juiz de Fora

 

Celebramos, nesse 29º Domingo do Tempo Comum, o Dia Mundial das Missões. Recordemo-nos de que todos somos missionários pelo Batismo e não nos esqueçamos de tantos (as) que escolhem a vocação missionária para irem para longe e lá anunciarem o nome de Cristo. Ao final das Missas desse dia, fizemos uma coleta para auxiliar nas missões, ofertando um pouco do que temos em favor da propagação do santo nome de Jesus, pois ser missionário é levar Jesus para os outros e trazer os outros para Jesus. Se você ainda não fez sua oferta, pode deixá-la na secretaria de sua paróquia.

No contexto de nosso II Sínodo Arquidiocesano, cujo lema missionário é Proclamai o Evangelho pelas ruas e sobre os telhados (cf. Mt 10,27), nesta nossa Arquidiocese de Juiz de Fora, uma Igreja sempre em missão, tivemos ainda a alegria de conferir os Ministérios de Leitor e Acólito aos seminaristas Alex Francisco da Silva e Ronny Moreira de Oliveira e o Ministério de Acólito a Marcus Vinicius Fernandes da Silva, da Diocese Irmã de Óbidos (PA), já tendo recebido o Ministério de Leitor. São missionários pelo Batismo que vão assumindo novas funções em vista da consagração definitiva na Ordem do Diaconado em breve e depois no Presbiterado.

Dois temas bíblicos nos iluminaram nessa celebração missionária. Iniciemos pelo evangelho: Dai a Deus o que é de Deus (Mt 22, 15-21). Esta leitura nos traz o diálogo de Jesus com fariseus e outros líderes do povo de Israel, que querem pô-Lo à prova, armando-Lhe uma cilada para terem motivo de O condenar. Apresentam-Lhe uma moeda do Império Romano, dominador político da região, com a imagem do Imperador Tibério César, na qual aparecia uma frase latina referindo-se a ele como se fosse um Deus. E fizeram a conhecida pergunta capciosa: devemos ou não pagar impostos a César?

Diante de Jesus, estava a realidade social da época, formada por três grupos políticos: os fariseus, que não queriam, por motivos religiosos, pagar o imposto a um rei pagão e idólatra, mas que pagavam forçados por lei; os herodianos e entre eles os saduceus, que embora fossem judeus, eram aliados políticos dos Romanos, gozavam de vantagens por esse motivo e afirmavam que deveriam pagar tais impostos; e ainda os zelotas, que se recusavam, por motivos políticos, a pagar estes impostos, enfrentando até mesmo a legislação.

Qualquer resposta que Jesus desse complicaria sua vida com um desses grupos. Ele, porém, dá uma resposta superinteligente, magistral, perguntando antes: de quem é esta figura esculpida na moeda? Responderam: de César. E Jesus, categoricamente, diz: Pois bem, dai a Cesar o que é de César e a Deus o que é de Deus.

Jesus, na perícope do evangelho de hoje, ensina de forma clara que o principal é justamente a atitude de reconhecer a Deus como nosso único e verdadeiro imperador e rei, pois os reinos e os outros regimes governamentais passam. Tal verdade está explícita na primeira leitura, no texto do Profeta Isaías, quando Deus declara a Ciro, um rei pagão: Eu sou o Senhor; não existe outro. Fora de mim não há deus (Is 45,5). Sua resposta central está na afirmação: Dai a Deus o que é de Deus.

E o que é de Deus em nós? Como entender isso para a nossa vida de hoje? Dar a Deus a nós mesmos: somos criados à Sua imagem e semelhança. Pelo Batismo, somos de Deus, pelas nossas opções, devemos a Deus o que é de Deus, ao assumir ministérios, na consagração de vida, na dedicação ao diaconado, ao presbiterado. São Paulo, na primeira carta aos Tessalonicenses, afirma: Sabemos, irmãos amados por Deus, que sois do número dos escolhidos (I Tes 1, 4).

Dar a Deus o que é de Deus é nunca recusar a oferecer-Lhe o que Ele espera de nós. Nunca reter, egoisticamente, o que se deve oferecer a Ele. Sacrificar a Deus o que deve a Ele ser sacrificado, como está escrito no Salmo 4: Sacrificai o que é justo oferecer (Sl 4, 6). Oferecer de nós mesmos, nosso dízimo, nossas ofertas voluntárias e amorosas, nosso tempo, nossas obras, nossos pensamentos, nossos olhos, ouvidos, coração.

Tudo a Ele pertence. Tudo a Ele deve ser continuamente oferecido: Dai a Deus o que é de Deus. Com esta liberdade de espírito de não reter nada para nós, mas tudo dar a Ele, podemos dizer de coração a frase motivadora do Mês Missionário deste ano e que se tornou também o lema dos Ministérios conferidos aos queridos irmãos Alex, Ronny e Marcus Vinicius: Eis-me aqui; envia-me! (Is 6,8).

 

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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