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Fé e coerência de vida

Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul

 

Creio que o Mês do Rosário e Missionário é uma oportunidade que o Senhor nos oferece para olharmos, refletirmos, rezarmos e agirmos como cristãos vigilantes, que mantêm os olhos da face e do coração bem abertos, para ver a realidade em que estamos inseridos como sociedade e comunidade de fé. Estamos a poucas semanas das eleições municipais. São as eleições que despertam as maiores paixões pela política a nível local. Elas têm o poder de ressuscitar antigos desafetos políticos e muitas vezes destruir a paz nas famílias e a harmonia nas comunidades de fé. Sem dúvidas, elas têm uma importância enorme para todas as comunidades. Porque as autoridades municipais têm um contato direto com a realidade e as necessidades do povo que forma a comunidade. Por isso, a escolha não pode ser feita em cima das paixões e desafetos, mas levando em conta a competência do candidato e o seu compromisso com o bem comum da coletividade.

No Evangelho escrito por São Mateus (Mt 22,15-21), uma comissão foi falar com Jesus, com o intuito de interrogá-lo sobre o dever de pagar os impostos devidos a César, que representavam o domínio estrangeiro sobre o povo de Israel. Jesus sabiamente respondeu: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,21). Com essa frase, o Senhor coloca uma distinção entre o poder político e aquele espiritual, entre Estado e religião. Pagar os impostos devidos ao Estado não compromete a autoridade de Deus, que não pode ser de forma nenhuma prejudicada por aquela política. No entanto, pode ser mais fácil dar a César aquilo que lhe compete, por consciência ou coação da lei, e mais difícil ser obediente a Deus e dar-lhe aquilo que é seu: o louvor, o amor, a fé, a escuta da sua palavra para vivermos segundo o Santo Evangelho. No mundo podemos ser bons cidadãos e bons cristãos, mas também bons cidadãos e péssimos cristãos, quando as nossas ações e a nossa responsabilidade e compromisso com o bem comum não condizem com a fé que professamos, ou com a Palavra de Deus que ouvimos.

Precisamos tomar consciência que o absoluto na nossa vida é somente Deus, revelado por Jesus Cristo, e a nossa missão é resplandecer como astros no mundo, mantendo firme a palavra de vida. Por isso, é importante olharmos para dentro de nós mesmos e para a nossa comunidade de fé e nos perguntarmos: Como estamos vivendo o Evangelho na realidade da nossa vida e em comunidade? Damos testemunho dos valores do Evangelho nas nossas ações, com a nossa vida, ou preferimos justificar a dormência ou a indiferença da nossa fé com os erros dos outros?

A “Igreja”, comunidade de fé, é o local privilegiado onde o Espírito Santo pode manifestar-se, desde que encontre acolhida, escuta e disponibilidade nos corações dos fiéis. A Igreja é formada pelos batizados que souberam responder ao apelo do Senhor e, mesmo sendo duramente provados por perseguições, incompreensões e intolerância no mundo, não se resignam, mas rezam e trabalham para dar visibilidade à sua fé com a caridade e a esperança no Senhor Jesus Cristo.

 

 

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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