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Vida como banquete

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

A natural sensibilidade humana se expressa, normalmente, no conjunto das atividades que acompanham a vida das pessoas. Não é um ato de momento, instantâneo, que não deixa de ser passageiro, mas envolve seu modo de ser e de atuar na sociedade. A vida não é só uma festa de alegria, de banquetes e lazer. Ela experimenta o lado sombrio enxertado de tristeza, desesperança e sofrimento.

A bíblia apresenta a imagem do banquete da vida, com ricas iguarias, simbolizando a abundância dos dons e das bencãos de Deus. Mas tem que ser um banquete que não exclui ninguém, senão essa benção não acontece. Assim é a Nação brasileira, onde há fartura em muitas mesas, mas hermeticamente fechadas para a grande maioria da população e espaço onde a presença do pobre vira estorvo.

A vida deixa de ser banquete quando há o domínio da injustiça, da ganância e da violência. O Reino de Deus, que Jesus anunciou, tem a evidência da fartura e da partilha, onde não há domínio de uns sobre os outros, porque reina a fraternidade. Desta forma podemos dizer de vida em abundância, porque ali existe possibilidade de acesso de todas as pessoas, indistintamente.

Um banquete pode ser usado como local de congraçamento e de fortalecimento de amizades. Para os empresários, é espaço de negociação e conquista de prosperidade econômica. Sempre é mesa de abundância, mas o apóstolo Paulo diz que a vida pode ser feliz tanto na abundância como na miséria, quando tudo for realizado com critério de honestidade e preocupação com a vida digna dos outros.

O Brasil é como um “grande banquete”, mas manipulado por pessoas inconsequentes e irresponsáveis. No mundo político é uma lástima, como estamos assistindo no cenário nacional. Vemos, a todo instante, administradores de má conduta na mira da justiça, paixões políticas provocando assassinato de candidato e empresários indo para a cadeia por práticas ilícitas. O país é banquete da morte.

  Para participar do banquete do Reino de Deus é necessário estar com vestes próprias. São as vestes das bem-aventuranças, do despojamento e da vida pautada pelos bons propósitos. Não é um banquete que exclui determinadas pessoas, mas a exclusão pode acontecer através das atitudes praticadas pela própria pessoa, por não aceitar colocar em prática as exigências do banquete.

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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