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A corrosão do caráter e a reforma administrativa

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

 

Neste mês de setembro amarelo é importante uma releitura do livro de Richard  Sennett, “A corrosão do caráter”, que expõe as condições pessoais do trabalhador contemporâneo, entre elas a preocupação com a perda da efetividade, da segurança. Digo isto porque um dos pontos fortes da atual Reforma Administrativa é facilitar a demissão, colocar padrões de desempenho e avaliar sempre a eficiência em termos de resultado. A visão antropológica que inspira o gerencialismo produtivista, segundo Mac

Grego, um famoso pensador de modelos administrativos, é que os empregados, funcionários e servidores, não têm iniciativa e por isso mesmo precisam de mecanismos compulsórios que os façam empenhar-se e produzir.

Para ele, pelo contrário, as pessoas precisam, para desenvolver desempenhos bons ou até ótimos, de um clima de liberdade, participação e alegria, especialmente no âmbito público, onde valem mais os relacionamentos e o atendimento às pessoas que os resultados, o zelo pelo bem comum que o lucro ou vantagens competitivas. Para nós cristãos, as pessoas sempre estarão no centro das estruturas ou processos e o Estado deve cuidar dos servidores, da sua saúde física, mental e espiritual, pois quando se perde a noção do sentido social do trabalho, da auto-estima e da pertença, não temos mais que máquinas burocráticas, frias e impessoais, sem alma.

Quando olhamos para os 13 milhões de desempregados no Brasil, nos deparamos com um grande desafio, o de devolver a capacidade criativa e a esperança a esta população que merece toda a atenção e cuidado. A professora mineira, Doutora em Ciências Sociais (IFCH/ UNICAMP) e mestre em Administração Pública e Governo (Eaesp/FGV),

Ana Paula Paes de Paula, sustenta um modelo mais apropriado para a Administração Pública, que ela denomina Administração Pública Societal, caracterizado tanto por uma nova visão do desenvolvimento social quanto por uma concepção participativa e deliberativa da democracia e gestão social, o que requisita um novo tipo de gestor público. Por um trabalho digno, decente e justo, que gere vida, esperança e desenvolvimento sustentável para todos/as. Deus seja louvado!

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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