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Romaria da Santa Cruz em tempos de pandemia

Dom Aloísio Alberto Dilli
Bispo de Santa Cruz do Sul

 

Caros diocesanos. A cruz é o sinal que nos identifica como cristãos, desde o nosso Batismo. É como uma marca indelével em nossa vida. Ela nos recorda sempre o maior gesto de amor que a humanidade já viu, pois nela o Filho de Deus entregou sua vida por amor à humanidade: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus I amigos” (Jo 15, 13). Com a ressurreição de Jesus Cristo a cruz, que era sinal de condenação e morte, tornou-se sinal de vida e de amor.

Em nossa vida, seguidamente somos confrontados com a presença da cruz, a começar pelo nome de nossa diocese e da cidade onde está a sua sede: Santa Cruz do Sul. Em nossas igrejas e moradias, assim como em muitos lugares públicos, nos defrontamos com esse sinal da nossa identidade cristã. Como faz bem chegar ao alto do Morro da Cruz e encontrar este sinal-monumento, ao lado do qual contemplamos nossa bela cidade. Da mesma forma, ao chegar no trevo de entrada de Santa Cruz do Sul, somos acolhidos e abençoados pela cruz que vemos nas imediações do Seminário São João Batista, local de chegada e da celebração eucarística de nossas romarias. Como é significativo observar as pessoas que traçam o sinal da cruz, ao passarem em frente à catedral ou de outras igrejas de nossas cidades ou das vilas e comunidades do interior. Tantos outros usam a cruz em seu peito, em objetos e até em tatuagens pelo corpo. Quantos traçam o sinal da cruz, qual invocação de bênção, ao iniciarem o dia e como ação de graças, ao deitarem à noite?! Outros o repetem nos momentos significativos do dia; até os atletas sabem fazê-lo ao se aproximarem do objetivo maior de seu esporte. Como diz o Documento de Aparecida: é uma espiritualidade encarnada na cultura dos simples, mas nem por isso menos espiritual e que não pode ser desprezada (cf. DAp 263).

Que esta cruz ilumine constantemente nossa vida e seja o sinal primeiro de nosso caminhar no seguimento de Jesus Cristo, para aprendermos a lição mais profunda da vida e que lhe dá o verdadeiro sentido: amar é doar, gastar a vida pelos outros (cf. Jo 15, 13). Neste tempo de pandemia, em que a cruz se faz presente de tantas formas e em todos os dias, não falte o fermento do amor, ensinado na cruz, mesmo que seja em pequenos gestos de cuidar de si e dois outros, como usar máscara, evitar aglomerações, ter paciência consigo e com os outros, procurar novas respostas de convivência, viver a caridade com quem mais sofre e, inclusive, descobrir novas formas de expressar a fé cristã. Falar sobre a cruz não pode ser algo teórico, pois Jesus nos ensinou a carregá-la todos os dias se quisermos ser seus discípulos/as. E isso vale também para tempos de pandemia.

Em 2020, não poderemos viver a bela experiência de sermos multidão que caminha, guiados na procissão pela cruz, como nos outros anos. Mas vamos viver a experiência de sermos Igreja — Comunhão, de outra forma, colocando-nos em sintonia pelas redes sociais e formando uma só família de irmãos e irmãs que se sentem conectados pela mesma fé cristã. Vamos ser criativos e participar da 19a Romaria da Santa Cruz, através de três momentos programados e que serão transmitidos pelas redes sociais: Dia 10/09: Live sobre o Mistério da Cruz, às 20hs; Dia 11/09: Via Sacra, à 20hs; Dia 13/09: Missa no local da romaria, às 09hs, com presença limitada, devido ao distanciamento. Recordamos ainda que a romaria é ocasião para ações de caridade nas comunidades.

Com a intercessão da Mãe das Dores, que sempre reúne seus filhos para o encontro com Jesus Cristo, abençoamos a todos com o sinal da cruz, que nos identifica como cristãos.

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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