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Limites humanos

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

Incrivelmente, mesmo com toda capacidade concentrada na história da vida humana, que significa reflexo do poder da mente de cada pessoa, principalmente dos intelectuais, mesmo assim chega-se a um momento de confronto com os limites e com a impossibilidade de agir no além. Diferente dos irracionais, os indivíduos humanos são capacitados para construir ambientes favoráveis à vida.

Além dos limites da razão, também como fruto da escolha humana, existe o amor com dimensão de eternidade. É aí que podemos falar de fé como capacidade de enxergar além dos limites humanos. Deus se confunde com o verdadeiro amor, que tem como força motora a capacidade do perdão. Perdoar significa reconhecer os limites da racionalidade e a certeza de pertença ao Senhor.

Mesmo com a evidência de perfeição da tecnologia, ela não ultrapassa os limites de confronto com a esfera sideral. O progresso da cultura hodierna não proporciona plenitude, porque a vida na terra tem seus limites. A covid-19 mostra claramente esse aspecto, e deixa uma insegurança preocupante para todas as pessoas do planeta. Afinal, já são mais de 120 mil falecidos, com esse vírus, no país.

A “coerência” é a palavra mágica que autentica os limites da ação humana. Ela deve ser aqui traduzida pelo termo honestidade. Infelizmente existe muita prática de desonestidade e desvio de conduta na administração dos bens da sociedade. A justiça está ancorada nos ensinamentos da Palavra de Deus, mas totalmente instrumentalizada nas tratativas da cultura moderna.

Os limites humanos estão relacionados com a maneira como acontece o comportamento das pessoas na mentalidade atual. Está muito visível o reino da intolerância, do isolamento, do rancor e de práticas egoísticas. Ultrapassando os limites, tornou-se comum o gesto hediondo dos assassinatos, feminicídios, suicídios, como o desrespeito para com as pessoas mais vulneráveis e indefesas.

Dentro dos limites aludidos acima, o que falta mesmo é a correção fraterna, a valorização do outro como um “outro eu”. É a dimensão que vai além da esfera humana, do nível das hipocrisias até chegar ao patamar da espiritualidade proposta por Jesus Cristo. Pelo caminho do perdão e do amor é possível realizar uma prática divina dentro dos limites do humano. Basta entender a riqueza da vida.

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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