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Seduziste-me, Senhor

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro

No último domingo do mês vocacional celebramos o dia nacional do Catequista. Não há como falar de vocação e missão na Igreja sem falarmos dessas pessoas que são tão importantes para o crescimento na fé de nossas comunidades e de nossa vida cristã. Neste domingo, queremos registrar o nosso enorme agradecimento a todos esses nossos irmãos e irmãs na fé que abraçaram a missão de nos levar a conhecer e aprofundar a nossa vida de fé, ajudando a tantas pessoas a acolher a mensagem da Revelação Cristã e a vivenciar a vida cristã. Vale a pena recordar a publicação do Novo Diretório Geral da Catequese, este grande instrumento que vai auxiliar nossa caminhada de Evangelização, sempre levando em conta que novos tempos mudam com muita rapidez diante de nós, exigindo estar sempre atualizados.

Hoje é também uma ocasião propícia para que nos recordemos dos nossos catequistas, seja nossos pais, nossos primeiros catequistas, nossos catequistas para a primeira comunhão e crisma ou os catequistas que nos prepararam para a recepção dos demais sacramentos. Façamos um exercício de memória e procuremos recordar de seus nomes e rezemos por eles. A catequese, em sua relação com a evangelização, tem a grande tarefa de nos incentivar a conhecer a fé e a fazer com que a fé se traduza na vida.

Não podemos deixar de mencionar a criatividade que atualmente tem sido utilizada por tantos catequistas nestes tempos diferentes de pandemia, utilizando de diversos meios para que a mensagem do Evangelho continue a chegar aos corações dos catequizandos. Demos graças a Deus por estes nossos irmãos e rezemos de forma especial por eles neste domingo.

A Palavra de Deus dirigida a nós neste 22º Domingo do Tempo Comum nos revela a pessoa de Jesus que veio para dar a Vida! No Evangelho (Mt 16,21-27) vemos duas partes bem marcadas: a primeira, Jesus que faz o anúncio de sua Paixão ao se dirigir a Jerusalém, recebendo o protesto de Pedro ante a verdade comunicada. Pedro é logo repreendido por Jesus ao protestar com Jesus pelo motivo de sua ida a Jerusalém. Na segunda parte, Jesus que apresenta claramente o caminho da cruz para todo aquele que o quiser seguir.

Muitas expectativas colocadas sobre Jesus eram as de que ele seria um libertador político, um rei descido dos céus que viria para libertar Jerusalém do jugo dos romanos. Em suas palavras e em seus gestos, Jesus mostra que é muito mais do que um libertador político: sua missão está em levar os homens a ter um coração e uma vida nova, vivendo a bondade e a pureza de coração.  Jesus não veio somente para aquela situação política concreta. A missão de Jesus é muito mais ampla do que aquela mera dimensão histórica concreta. Jesus mostra a verdadeira libertação que precisa acontecer, a libertação da vida e do coração do homem. Com homens e mulheres novos é que o mundo poderá mudar mesmo.

A segunda parte do Evangelho vem exatamente motivada pelo espanto de Pedro ante a manifestação da real missão de Jesus. Jesus mostra que o mundo será transformado pela entrega e que o cristão há de transformar a sua realidade concreta através da entrega de sua vida, seguindo uma lógica bem diferente da que é propagada, pois quanto mais se dá a vida, mais se tem a vida.

O Evangelho fala de duas lógicas sem acordo: não se pode abraçar a sede louca do mundo de se dar bem a qualquer custo, de possuir tudo, de viver sempre no sucesso e no acordo com todos e, ao mesmo tempo, ser fiel ao Evangelho que vai numa outra direção. Vale para nós – valerá sempre – o desafio de Jesus: “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida?” Queridos irmãos e irmãs, olhemos o Cristo, pensemos no seu caminho e escutemos a palavra do Senhor a nós, seus discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la!”

É exatamente neste sentido, na vivência de uma nova lógica que traz a verdadeira vida, que a segunda leitura (Rm 12, 1-2) vai nos convidar a não nos conformarmos com esse mundo, mas olharmos para Ele e para a missão de uma forma nova. Se fizermos o bem e pregamos o amor, estamos no caminho, mas, se porventura fraquejamos, tenhamos força no Senhor para fazer à vontade d’Ele. É necessário sempre para cada um de nós a humildade e a força de sempre fazer a vontade de Deus.

Essa coragem de viver a nova lógica proposta pelo Evangelho é o que Jeremias nos relata na primeira Leitura (Jr 20,7-9), onde o profeta fala que foi seduzido pelas maravilhas do Amor de Deus, e mesmo tendo de fazer a experiência da maldade dos homens, mesmo se cansando, a ação do Espírito o anima a seguir adiante. A experiência da maldade no mundo nos desgasta e nos faz pensar em desistir. Deixemos que a Graça do Senhor nos sustente.

Chegando ao final do mês vocacional, especialmente neste domingo, demos graças a Deus por todos os nossos irmãos catequistas, pedindo ao Senhor de guardar a cada um deles e sustentá-los me sua missão. Não deixemos de rezar por todas as vocações, pois esta deve ser tarefa constante da vida da Igreja. Durante esta semana, rezemos em especial pelo nosso seminário, que no próximo sábado completa 281 anos de fundação. Rezemos também pelos nossos seminaristas que serão ordenados diáconos também no próximo sábado. Preparemos nossos corações para a vivência do mês de Bíblia, que será vivenciado em setembro, onde teremos a oportunidade de refletir e aprofundar a presença da Palavra de Deus na vida e na ação da Igreja.

 

 

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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