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Catequista, em quatro palavras

Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta

 

            No Ano Vocacional Diocesano, recordamos e incentivamos a presença e atuação dos leigos e leigas em nossas comunidades. O(a) catequista é quase uma síntese deste caminho de evangelização presente em todas as nossas comunidades. Se nos perguntarmos qual sua espiritualidade essencial, talvez, teríamos alguma dificuldade de resumi-la. Uma pessoa humana, muito humana em todos os sentidos, com um bom testemunho de vida é alguém qualificado para esta missão, que deve ter uma espiritualidade baseada em quatro pontos, todos importantes: a Palavra, os sacramentos, a comunidade e a vida cristã.

            A vocação, já se falou, parte da acolhida da Palavra. Esta encontra lugar e ressoa internamente. Move a viver um caminho de conversão permanente. Contudo, como nos disse o Papa Francisco na Exortação “A alegria do evangelho”: é isto que Jesus Cristo vivo significou para ti que agora vais anunciar. A Palavra anunciada não é uma coletânea de ensinamentos teóricos. Ela é a gramática do modo como o Deus vivo, no seu Filho Jesus Cristo Ressuscitado, está conosco. Por isso, de modo muito apropriado, a Igreja apresenta a Leitura Orante como um modo privilegiado de caminho para todos os cristãos e, claro, para as catequistas de modo especial. As catequistas ouviram interiormente o apelo de Cristo: “ide pelo mundo inteiro e anunciai o evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).

            Sempre somos uma Igreja eucarística. Mesmo no tempo do COVID 19, quando fomos privados de poder participar, continuamos a ser a Igreja da comunhão e da Eucaristia. Sabemos que tudo concorre para a celebração deste único sacramento da Igreja Católica. Ele é o mais importante. Sim, todos os sacramentos, desde o batismo, são importantes, mas a Eucaristia é essencial, “fonte e ápice” (SC 10). Os sacramentos sintetizam na vivência do rito litúrgico o que é acolhido na Palavra. Dois desafios para as catequistas: primeiro, participar sempre da celebração na sua comunidade; segundo, encontrar o modo para ajudar nossos catequizandos a amar o que nos ritos está condensado. Não é o mais importante o estar lá presente, unicamente, mas viver profundamente o que os ritos nos conduzem. O testemunho belo de uma catequista será evangelizador.

            A terceira dimensão da espiritualidade da catequista é vida comunitária. Por mais que neste ano fomos privados da vivência comunitária, por ocasião da pandemia, sempre somos e seremos comunitários. Como entender o ser cristão sem o irmão ou a irmã, sobretudo os mais sofredores? Sabemos que, normalmente, as catequistas são pessoas que se dividem entre sua família, trabalho e vida comunitária. Contudo, a vida cristã sempre será com outros, onde sentimos sua presença e dividimos o amor de Cristo. Não será possível um caminho “a solo” de uma catequista. Ela é representante da Igreja, preparada e enviada. É símbolo da evangelização eclesial. Por isso, recebe a Bíblia e o Catecismo da Igreja Católica, que é para todos, como fonte do seu ensinamento.

            Enfim, a espiritualidade da catequista passa pelo testemunho de uma vida cristã madura. É pedido que, para ser catequista, para poder fazer ecoar a Palavra, tenha já havido um caminho pessoal. Este caminho pessoal deve aparecer sem confusão, sobretudo na vida moral. Falamos aqui de um testemunho de caridade, de acolhida, de olhar a vida e a realidade social com o olhar da Igreja, a vida familiar e a busca sincera de crescer a cada dia. Sem dúvidas, todo este caminho é objeto de oração cotidiana, recordando sua missão e os nomes daqueles que a Igreja lhes confiou.

            Parabéns, queridas catequistas, pela vossa vida e missão em nossa Diocese.

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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