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Bíblia e pandemia

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba

O mundo sempre teve momentos difíceis para a vida do povo. Agora é o da pandemia do coronavírus numa amplitude globalizada. Nenhum país ficou fora dessa catástrofe transformadora do estilo de vida da sociedade, exigindo portas fechadas, festas suspensas, milhares de pessoas falecidas e milhões de outras assustadas. Existe alguma previsão bíblica para tamanha realidade?

Existem na bíblia várias referências de previsão sobre pragas. Podemos citar algumas do Antigo Testamento: “O Senhor, porém, castigou com grandes pragas o faraó e sua corte…” (Gn 12,17); “Pois desta vez vou desencadear todas as minhas pragas contra ti mesmo, teus ministros e teu povo…” (Ex 9,14). A pandemia causada pelo vírus da covid-19 pode ser considerada uma praga.

No Novo Testamento aparecem algumas referências a pragas bem significativas. Entre elas destacamos: “Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em vários lugares” (Lc 21,11). Antes disto, Lucas já tinha dito: “Quando ouvirdes falar em guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que essas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim” (Lc 21,9).

Outra consideração bíblica importante está citada na Carta aos Romanos onde Paulo diz: “Sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (Rm 8,22). Sabemos dos limites da natureza criada, inclusive a experiência da morte. Neste contexto, um vírus microscópico é capaz de causar milhares de mortes e paralisar todos os sistemas humanos.

Não podemos dizer que esses textos bíblicos se referem ao coronavírus, mas sim aos condicionamentos inerentes à natureza. Ela se rebela quando agredida de forma irresponsável. A Palavra de Deus é sábia e destinada a despertar a consciência coletiva dos seres humanos sobre o cuidado que devem ter com tudo aquilo que é vulnerável e passível de finitude. O vírus pode conduzir a isso.

Mas não significa que estamos caminhando para um fim próximo. O alerta vem de Jesus: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai” (Mt 24,36). Sem dúvida, vivemos tempos difíceis, de enfrentamentos que nunca fizeram parte de nossa vida. Também não é tempo de viver na ansiedade, mas de revisão das atitudes e da esperança.

 

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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