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O temor de Deus

Dom Carlos José
Bispo de Apucarana

 

Certo dia um cristão e um fabricante de sabão se encontraram e, caminhando, começaram a conversar. O fabricante de sabão disse: ‘O Evangelho, a Palavra de Deus, as coisas que vocês ensinam sobre fé e amor na Igreja, não trazem grandes benefícios às pessoas. Pois ainda se vê muita miséria, ganância, brigas, fofocas e muita gente passando necessidade’.  Caminhando mais um pouco, ambos se depararam com um grupo de meninos sujos que brincavam num campinho de terra. O cristão disse: ‘O sabão não tem trazido grandes benefícios, pois ainda existe muita sujeira e muita gente suja’.

O fabricante de sabão rapidamente falou: -‘O sabão é muito bom, mas precisa ser usado da forma correta! ’. ‘Exatamente, disse o cristão, também os ensinamentos de Cristo precisam ser aplicados à vida! “Felizes os que ouvem a Palavra de Deus e a praticam” (Lc 11,28)

O Dom do Temor a Deus, normalmente é confundido com medo ou pavor de Deus, como se Ele, o Pai Amoroso infligisse um castigo a cada pecado ou erro cometido por nós. Pobres de nós se assim fosse! Deus é amor e não castiga, antes, perdoa nossas faltas e espera nossa conversão. Esse Dom, sem o qual não podemos ser discípulos de Jesus, revela a nossa filiação Divina, gerando no mais íntimo de nosso ser o profundo desejo de não magoar nem ofender Aquele que nos deu a vida e vive em nós, não por medo, mas por respeito, amor e obediência. Justamente porque Deus se revelou a nós, e, através de Jesus Cristo nos redimiu de todo pecado, e, ainda nos encheu do Espírito Santo, nós, que Nele cremos, devemos reconhece-Lo como Pai e Criador do céu e da terra. Para isso, é necessário que vivamos uma vida de fé, com retidão e cumprimento dos mandamentos da Lei de Deus.  A generosidade de Deus se manifesta desde sempre, seu amor é infinito e perpassa nosso entendimento, porém, ao que crê, é dada a graça da pertença à Santíssima Trindade, como filho (a). O Dom do Temor de Deus está intimamente ligado a humildade sincera e à prática das virtudes, nos auxiliando a vencermos as tentações e a fugirmos do pecado. Por esse Dom, o Espírito Santo move a nós, cristãos, a conhecermos nossa própria miséria, presunção e orgulho, impulsos desordenados e paixões mundanas, dando-nos consciência de que essas práticas ofendem a Deus, que nos criou para a santidade de vida. Essa constatação consciente, faz surgir em nosso coração o Temor de Deus, que converge para que esses instintos e impulsos sejam moderados e evitados para que Deus não seja ofendido por essas práticas. Em tempos de Pandemia é preciso muito cuidado com as tentações geradas pelas inquietações diárias, que podem nos levar a perda da esperança, esmorecimento na vida de oração, e, consequentemente, a fraquejarmos na fé, gerando em nós até uma rebeldia em relação às verdades Divinas.  O Temor de Deus nos faz amá-Lo, respeitá-Lo e reverenciá-lo com ternura e carinho, como filhos e filhas que creem verdadeiramente que Ele está agindo, cuidando e preparando tempos melhores para cada um de nós, porque Ele é Amor e nos ama com amor incondicional. Clamemos ao Pai, pelas mãos de Nossa Senhora de Lourdes, que tenhamos sabedoria para tomarmos posse de todos os dons a nós ofertados e vive-los bem em qualquer situação.

“E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que Ele nos concedeu” (Rm 5,5).

 

 

 

 

 

 

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Fonte: Noticias da CNBB

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